O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou nesta terça-feira (12) que seguirá como pré-candidato à reeleição ao Senado Federal, apesar de ter sido alvo na quinta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o Banco Master.
Em vídeo enviado por sua assessoria de imprensa ao portal g1, o presidente nacional do Progressistas criticou a operação e questionou o fato de um líder da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter sido alvo da primeira etapa ostensiva da investigação.
“Tem uma coisa que me causou muita estranheza: por que começar essa operação por um líder da oposição? Essas coisas não surgem por acaso, acontecem porque estamos em ano eleitoral. As questões técnicas e provas estão em segundo plano para eles”, afirmou o senador.
A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Procurados, o STF e a Polícia Federal ainda não haviam se manifestado sobre as declarações feitas por Ciro Nogueira até a última atualização das informações.
PF investiga repasses ligados ao Banco Master
Segundo a Polícia Federal, a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., da qual Ciro Nogueira é sócio, teria sido utilizada para repassar vantagens financeiras em troca de atuação política favorável ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
As investigações apontam que os repasses mensais poderiam chegar a R$ 500 mil.
Além do senador, a operação também teve como alvo Raimundo Nogueira, irmão de Ciro e administrador da empresa investigada. Ele passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica após determinação judicial.
Pela primeira vez desde o avanço das investigações, Ciro comentou publicamente os valores citados no inquérito e minimizou o impacto financeiro apontado pela Polícia Federal.
“Agora inventaram que recebi ilegalmente valores por meio dessas empresas, valores que não chegam sequer a 1% do seu faturamento anual. Não chega a 0,5% do faturamento em dois anos”, apontou o senador.
Emenda apresentada por Ciro entrou na investigação
Outro ponto investigado envolve a chamada “Emenda Master”, proposta apresentada por Ciro Nogueira para ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A proposta previa elevar o teto atual de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Segundo a Polícia Federal, a redação da emenda teria sido encaminhada ao senador pela assessoria do Banco Master. Ciro negou irregularidades e afirmou que o fundo possui natureza privada.
“Este fundo é completamente privado. Quem financia o fundo são os bancos, não é a União, não tem recursos públicos. Até hoje ninguém veio a público explicar por que esse valor não é corrigido há 13 longos anos, sendo que isso só beneficia os grandes bancos”, argumentou.
A investigação busca esclarecer se houve atuação política direcionada para beneficiar interesses do Banco Master no sistema financeiro.
Troca de defesa ocorre em meio à investigação
Na segunda-feira (11), um dia antes das declarações públicas do senador, a defesa de Ciro Nogueira no Caso Master passou por mudanças.
O escritório de advocacia que representava o parlamentar informou que a saída ocorreu “em comum acordo”. Até o momento, nem o senador nem os advogados divulgaram detalhes sobre os motivos da mudança ou quem assumirá oficialmente a condução da defesa no processo.
A troca acontece em meio ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero.
Senador relembra operação da Odebrecht
No vídeo divulgado nesta terça-feira, Ciro Nogueira também citou outra investigação da qual foi alvo durante o período eleitoral de 2018.
Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em dois imóveis ligados ao senador em Teresina, 11 dias antes do primeiro turno das eleições daquele ano.
A operação fazia parte das apurações relacionadas a supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a Odebrecht.
Em 2020, a Procuradoria-Geral da República acusou Ciro Nogueira de ter recebido R$ 7,3 milhões em propina para favorecer a construtora.
Posteriormente, em 2023, a própria PGR pediu a rejeição da denúncia apresentada contra o senador. O pedido levou em consideração mudanças no entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre provas derivadas do acordo de leniência da Odebrecht.
A maioria dos ministros do STF votou pelo arquivamento do caso.
“A investigação correu, quebraram sigilos, buscaram provas e a conclusão do inquérito foi essa. A PGR não viu elementos suficientes para sustentar a acusação e nem indícios mínimos, também concluiu que não foram comprovadas as alegações”, disse Ciro no vídeo.
Operação amplia tensão política
A nova investigação envolvendo o senador ocorre em um momento de intensificação das articulações políticas para as eleições de 2026.
Presidente nacional do Progressistas e uma das principais lideranças da oposição no Congresso, Ciro Nogueira vinha ampliando sua atuação política em defesa de uma frente oposicionista ao governo Lula.
Nos bastidores de Brasília, aliados do senador avaliam que o avanço da investigação poderá impactar o ambiente político nos próximos meses, especialmente diante do calendário eleitoral.
Já investigadores sustentam que as apurações seguem critérios técnicos e buscam esclarecer possíveis relações entre agentes políticos e interesses privados ligados ao sistema financeiro.





Deixe um comentário