O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta terça-feira (12) que não pretende deixar o cargo e desafiou integrantes da alta cúpula de seu governo a apresentarem formalmente um nome para disputar sua liderança dentro do Partido Trabalhista. A declaração foi feita durante uma reunião emergencial de gabinete realizada na residência oficial do premiê, em Londres.
Segundo informações divulgadas pelo gabinete de Starmer e pela imprensa britânica, nenhum dos ministros presentes aceitou fazer um desafio direto ao primeiro-ministro durante o encontro.
A reunião ocorreu em meio à mais grave crise política enfrentada pelo governo trabalhista desde a chegada ao poder. Starmer vem sofrendo forte pressão interna após resultados eleitorais considerados frustrantes e diante do crescimento das críticas dentro da própria legenda.
Durante o encontro, o premiê defendeu sua permanência no cargo e afirmou que uma eventual saída neste momento ampliaria ainda mais a instabilidade política no país.
“Eu assumo a responsabilidade por esses resultados eleitorais, e assumo a responsabilidade por entregar a mudança que prometemos. (…) O Partido Trabalhista tem um processo para desafiar um líder e esse processo não foi acionado. O país espera que continuemos governando. É isso que estou fazendo e o que devemos fazer como gabinete”, afirmou Starmer, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete.
De acordo com a BBC, o premiê também ressaltou aos ministros que o mecanismo formal de sucessão dentro do Partido Trabalhista ainda não foi iniciado e provocou seus aliados a apresentarem um possível sucessor disposto a enfrentá-lo internamente.
Crise avança dentro do Partido Trabalhista
O ambiente político dentro do governo britânico se deteriorou rapidamente nos últimos dias. Segundo a BBC, ao menos 81 dos 403 parlamentares trabalhistas já defendem que Starmer deixe o cargo imediatamente ou apresente um cronograma para saída.
Esse número corresponde justamente ao mínimo necessário para dar início a um processo formal de contestação da liderança do premiê dentro do partido. Apesar disso, ainda não existe consenso em torno de um nome capaz de unificar os críticos.
Após a reunião desta terça-feira, um dos ministros afirmou à imprensa britânica que “nada foi acionado”, em referência ao mecanismo de sucessão interna.
Outro integrante do governo declarou à BBC que “não havia clima” para um desafio direto contra Starmer naquele momento.
Apesar da resistência pública demonstrada pelo premiê, a tensão dentro do gabinete continua elevada.
Ministros são apontados como possíveis articuladores
O jornal Telegraph publicou que ao menos seis ministros de alto escalão estariam entre os integrantes do governo que defendem a saída de Starmer.
Segundo a publicação, fazem parte desse grupo:
— A ministra do Interior, Shabana Mahmood;
— O ministro da Defesa, John Healey;
— O ministro da Energia, Ed Miliband;
— A ministra da Cultura, Lisa Nandy;
— A ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper;
— O ministro da Saúde, Wes Streeting.
Até o momento, nenhum deles confirmou publicamente a informação.
Em meio às especulações, o secretário de Habitação, Steve Reed, utilizou as redes sociais para demonstrar apoio ao primeiro-ministro ainda durante a reunião de gabinete.
“Essa instabilidade traz consequências para a vida das pessoas. Aqueles que mais serão prejudicados são os que nos elegeram há menos de dois anos. Devemos nos unir em torno do primeiro-ministro”, afirmou.
Renúncias aumentam pressão sobre premiê
A crise política ganhou novo capítulo nesta terça-feira com a saída de integrantes do governo e do Partido Trabalhista.
A ministra júnior do departamento de Habitação, Miatta Fahnbulleh, anunciou sua renúncia e questionou a capacidade de Starmer de conduzir o país diante do atual cenário político.
Segundo ela, nem a população nem integrantes do governo acreditam mais que o premiê consiga liderar o Reino Unido de forma eficaz.
Outros dois parlamentares trabalhistas também anunciaram saída e fizeram críticas públicas ao governo.
Alex Davies-Jones afirmou que “o país falou, e precisamos ouvir”.
Já Jess Phillips declarou que Starmer “é um bom homem, mas percebeu que isso não é o suficiente”.
Apesar das baixas, integrantes importantes do alto escalão ainda permanecem no governo.
Fontes ouvidas pela BBC afirmam, porém, que novas renúncias podem ocorrer ainda nesta terça-feira.
Rei Charles fará discurso em meio à turbulência
A crise política se desenrola às vésperas de um dos eventos mais importantes do calendário institucional britânico.
Na quarta-feira (13), o rei Charles III fará o tradicional discurso do Estado da União no Parlamento, cerimônia em que o governo apresenta as prioridades legislativas e políticas para o próximo ano.
O evento costuma simbolizar alinhamento político e estabilidade institucional. Neste ano, porém, ocorrerá sob clima de forte tensão interna no governo trabalhista.
Nos bastidores de Westminster, aliados de Starmer tentam evitar que a crise avance justamente em um momento considerado estratégico para a apresentação da agenda do governo.
Premiê enfrenta teste de sobrevivência política
A permanência de Keir Starmer no cargo dependerá, nos próximos dias, da capacidade de conter novas deserções dentro do partido e reconstruir apoio parlamentar.
Embora ainda não exista um movimento formal consolidado para derrubá-lo, o aumento da pressão interna e as divisões no gabinete ampliaram as dúvidas sobre a estabilidade política do governo britânico.
Até o momento, Starmer insiste que continuará no comando e que o foco do governo deve permanecer na recuperação política e econômica do país.





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