Acionistas ligados ao Master aumentaram 33 mil vezes a participação em capital junto ao BRB

Crescimento acelerado ligado ao Banco Master apontado por auditoria leva banco estatal a pedir bloqueio de bens e investigar operações

Uma auditoria contratada pelo Banco de Brasília (BRB) identificou um crescimento de 33 mil vezes na participação acionária de pessoas ligadas ao Banco Master durante o período em que a instituição estatal promoveu aumento de capital e negociava uma possível aquisição. Segundo o levantamento, a fatia desses investidores saltou de 0,0007% no início de 2024 para 23,5% do capital social ao fim de 2025.

Os dados embasam uma ação judicial apresentada pelo BRB, na qual a instituição pede o bloqueio de bens de fundos e pessoas envolvidas nas operações. O banco sustenta que o processo permitiu a entrada do empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e de outros investigados pela Polícia Federal como acionistas do banco estatal.

Estrutura societária sob suspeita

Na ação, o BRB afirma que os investigados passaram a integrar o capital social por meio de estruturas pulverizadas e fundos de investimento, com uso de pessoas interpostas para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários.

De acordo com o documento, há indícios de que essas operações tenham sido estruturadas para atender formalmente às regras de aumento de capital, mas com dificuldades deliberadas de rastreamento. O banco aponta que o movimento ocorreu em paralelo às negociações envolvendo o conglomerado Master.

As defesas de Daniel Vorcaro e do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, informaram que não irão se manifestar. O ex-dirigente, por sua vez, sempre negou irregularidades e afirma a interlocutores que é alvo de perseguição da atual gestão da instituição, sustentando que sua atuação visava fortalecer a capacidade de expansão do banco.

Aumento de crédito e compras bilionárias

O relatório também destaca que, no mesmo período em que houve a ampliação da participação societária, o BRB aumentou significativamente suas operações de crédito com o Banco Master. Segundo a auditoria, entre julho de 2024 e outubro de 2025, foram adquiridos R$ 26,6 bilhões em carteiras de crédito do conglomerado.

O banco aponta que essas operações ocorreram em intervalos curtos, em alguns casos no mesmo dia, e com pouco tempo entre aprovação e conclusão. A ação judicial menciona falhas graves e indícios relevantes de irregularidades em parte significativa dessas transações.

Há ainda a indicação de que os créditos adquiridos sofreram deterioração acentuada, levando à necessidade de substituição de carteiras e captação de recursos adicionais. Parte dessas operações envolve o que a investigação classifica como créditos sem lastro.

Investigação da Polícia Federal e liquidação do Master

O Banco Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado, após a identificação de falhas de gestão. A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude financeira, incluindo o uso de títulos de crédito sem lastro e práticas de lavagem de dinheiro.

As apurações apontam que o BRB teria adquirido cerca de R$ 12 bilhões em créditos considerados problemáticos do Master. Segundo a ação, houve substituição de aproximadamente R$ 10 bilhões desses ativos, ainda com qualidade questionada e sob análise.

O documento também atribui à gestão anterior do BRB a condução das operações. O ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, foi preso na semana passada após investigações indicarem suspeita de recebimento de R$ 146 milhões em imóveis de Vorcaro, supostamente ligados à negociação entre os bancos.

Movimentos recentes e tentativa de reestruturação

Em meio às investigações, o BRB informou ter firmado um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para a venda de parte dos ativos ligados ao Master, em operação estimada em R$ 15 bilhões.

O acordo prevê pagamento inicial entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, com o restante sendo negociado por meio de cotas de um fundo de investimento voltado à gestão e monetização dos ativos. Paralelamente, acionistas aprovaram um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões.

O banco afirma que mantém compromisso com a transparência e com a prestação de informações ao mercado, enquanto as investigações seguem em curso na Justiça Federal do Distrito Federal.

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