As eleições gerais deste ano estão mais silenciosas. Os grupos de WhatsApp da família emudeceram. As bandeiras e adesivos nos carros rarearam. As camisetas de partidos políticos não deixaram o guarda-roupa. O brasileiro está com medo, como mostra uma pesquisa inédita da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Segundo o levantamento “Violência e Democracia: panorama brasileiro pré—eleições de 2022”, 67,5% dos entrevistados afirmam terem medo de sofrer agressões físicas em razão de sua escolha política ou partidária. Do total de ouvidos, 3,2% relatam ter sofrido ameaças por motivos políticos no último mês. Se extrapolada a amostra da pesquisa, são cerca de 5,3 milhões de pessoas intimidadas por expor suas opiniões. O estudo foi realizado pelo Instituto Datafolha, que ouviu cerca de 2.100 pessoas entre os dias 3 e 13 de agosto em cerca de 130 municípios.
O sociólogo Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum, avalia que o Brasil está “num debate eleitoral interditado”. Os casos recentes de violência político-eleitoral, como a diarista que teve uma marmita negada e os assassinatos dos petistas no Paraná e Mato Grosso, têm mostrado que as divergências políticas podem acabar em retaliação ou até em morte.
— O discurso agressivo adotado pelo atual governo e esses casos criam um clima de pânico e acabam por mobilizar aqueles que são contra os avanços civilizatórios. As pessoas, portanto, ficam paralisadas, porque realmente estão sendo ameaçadas e se tornando vítimas. Elas não saem mais com adesivos, não fazem campanha. A rua foi tomada por uma única facção ideológica — opinou Lima.
Para a cientista política Mônica Sodré, diretora da RAPS, os achados da pesquisa são preocupantes, sobretudo num país que tem visto crescer o número de armas nas mãos dos cidadãos e enfrentado ataques constantes às instituições democráticas.
— Uma das dimensões mais importantes da democracia é o direito à participação, à expressão e à manifestação. Estamos vendo que esse direito pode estar prejudicado. Se as pessoas têm medo de se manifestar, é a própria democracia que, de alguma maneira, está ameaçada — ressaltou Mônica.
A notícia está no Globo online.





