Uma nova pesquisa do DataSenado e da Nexus mostra um cenário alarmante: 8,8 milhões de brasileiras sofreram violência digital nos últimos 12 meses. O estudo, o primeiro a aprofundar agressões de gênero em ambientes virtuais, expõe como o espaço online se tornou uma extensão das violências domésticas, psicológicas e sexuais — agora impulsionadas pela tecnologia.
A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, revela que 10% das mulheres brasileiras com 16 anos ou mais foram vítimas de algum tipo de agressão digital. A 11ª edição do levantamento amplia o monitoramento das violências mediadas por tecnologia, incluindo ataques verbais, invasões de contas e coerções envolvendo imagens íntimas.

Violências digitais mais comuns
Os dados mostram que agressões online têm se tornado rotina para milhões de brasileiras:
- Mensagens ofensivas e ameaçadoras recorrentes: atingem 5% da população feminina — cerca de 4,8 milhões de mulheres.
- Invasão de contas e dispositivos: relatada por 4% das entrevistadas.
- Difusão de mentiras nas redes sociais: também com 4% de incidência.
- Uso de imagens íntimas para chantagem: dobrou de 1% para 2% em relação à edição anterior da pesquisa — o que representa 1,4 milhão de vítimas.
Apesar de percentuais aparentemente baixos, os números revelam um avanço significativo de práticas que combinam violência psicológica, sexual e tecnológica.
Jovens são as maiores vítimas
Mulheres de 16 a 29 anos são o principal alvo da violência digital.
Enquanto 10% das brasileiras afirmam ter sofrido algum tipo de agressão online no último ano, entre as mais jovens o índice sobe para 15%.
O envio recorrente de mensagens ameaçadoras, por exemplo, atinge 9% das mulheres dessa faixa etária — quase o dobro da média nacional.
Para Maria Teresa Firmino Prado Mauro, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência, os dados mostram que a tecnologia não cria novos agressores, mas “amplia o alcance das violências já existentes, cometidas por parceiros íntimos, familiares e pessoas próximas”.
Pesquisa é referência para políticas públicas
Criada em 2005 para subsidiar debates legislativos e políticas de proteção às mulheres, a pesquisa ouviu 21.641 brasileiras com 16 anos ou mais, em todas as unidades da Federação. O levantamento é uma das principais bases de dados nacionais sobre desigualdade de gênero e agressões contra mulheres.
As amostras utilizadas pelo DataSenado e pela Nexus são probabilísticas, com margem de erro média de 0,69 ponto percentual e nível de confiança de 95%. As entrevistas foram realizadas por telefone (fixo e móvel).
Sobre as instituições
DataSenado – Criado há mais de 20 anos, oferece pesquisas que orientam a atuação legislativa e monitoram temas de impacto social, incluindo desigualdade de gênero e violência contra mulheres.
Observatório da Mulher contra a Violência – Instituído em 2016, integra, analisa e divulga dados para fortalecimento das políticas de enfrentamento à violência de gênero no Brasil.






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