A federação formada por PT, PV e PC do B acionou a Justiça Eleitoral para pedir a suspensão, nas plataformas digitais, do perfil Dona Maria, um avatar criado com inteligência artificial que ganhou grande alcance ao publicar conteúdos críticos ao governo federal.
A iniciativa ocorre após a rápida disseminação de vídeos do perfil, um deles com 22 milhões de visualizações antes de ser removido do Instagram por excesso de palavrões.
Os partidos argumentam que o uso de inteligência artificial e recursos de deepfake caracteriza propaganda eleitoral antecipada. A ação busca limitar a circulação do conteúdo nas redes sociais, em um momento de atenção crescente sobre o impacto de tecnologias digitais no debate político.
O perfil, no entanto, informa de forma explícita que se trata de uma personagem criada com inteligência artificial. A descrição apresenta Dona Maria como a “voz do povo brasileiro de bem”, e há também um vídeo fixado explicando como o avatar é produzido.
Alcance e engajamento
Dados da consultoria Arquimedes apontam que os conteúdos publicados no Instagram já acumularam cerca de 102,1 milhões de visualizações e 10,5 milhões de interações. O volume de reproduções equivale a aproximadamente 140 vezes o número de seguidores da conta, o que indica forte capacidade de distribuição para além da audiência direta.
Esse desempenho sugere que o conteúdo tem sido impulsionado por mecanismos como o formato Reels, compartilhamentos e recomendações algorítmicas da própria plataforma, ampliando o alcance do perfil em diferentes públicos.
Autor do perfil e estratégia
Por trás da conta está o motorista de aplicativo Daniel Cristiano dos Santos, de 37 anos. Ele afirma ter ajustado o conteúdo ao longo do tempo para aumentar o engajamento, reduzindo o uso de palavrões e evitando citar nominalmente políticos, embora mantenha críticas frequentes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Especialista em marketing digital, Marcelo Vitorino avalia que a remoção de perfis desse tipo não é simples. Segundo ele, a manifestação de opinião é garantida e não há impedimento para que uma pessoa física produza conteúdo utilizando figuras geradas por inteligência artificial, desde que assuma a autoria.
Santos nega alinhamento automático com o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirma que sua posição política não é fixa. Ele diz não se considerar bolsonarista, embora tenha apoiado Bolsonaro em 2018, e afirma que, em um cenário polarizado, poderia apoiar um candidato ligado à direita em um eventual segundo turno. Também menciona preferência por nomes como o governador Romeu Zema.
Monetização e crescimento
O criador do perfil afirma que monetiza o conteúdo, mas relata ganhos modestos. Segundo ele, a receita mensal gira em torno de R$ 1.500, somando todas as fontes de renda da conta.
O caso evidencia o avanço do uso de inteligência artificial na produção de conteúdo político e levanta discussões sobre os limites legais e éticos dessas ferramentas, especialmente em períodos que antecedem disputas eleitorais.






Deixe um comentário