Uma pesquisa realizada pelo Instituto Marielle Franco mostra um cenário alarmante de violência política digital no Brasil, destacando que 63% das ameaças contra mulheres envolvem referências diretas ao assassinato da vereadora Marielle Franco, ocorrido em 2018. O estudo, que analisou 77 casos de violência entre 2021 e 2025, revela que o assassinato de Marielle se tornou um símbolo de intimidação, especialmente para mulheres negras e marginalizadas no campo político.
Os dados da pesquisa, que abrangem ameaças de morte e estupro, revelam um panorama preocupante de violência digital dirigida a parlamentares negras, principalmente nas esferas municipal e estadual. De acordo com o Instituto Marielle Franco, 71% dos casos envolvem ameaças e intimidações recorrentes, enquanto 87% das vítimas são mulheres negras, cis, trans ou travestis, além de LBTQIA+ e/ou periféricas.
Além disso, a pesquisa aponta que 84% das vítimas estão ligadas a partidos de esquerda ou centro-esquerda, com uma agenda voltada para a justiça social, direitos humanos e igualdade racial e de gênero. As redes sociais e e-mails institucionais se destacam como as principais plataformas utilizadas para os ataques digitais.
A pesquisa identifica sete formas de violência digital, incluindo ameaças, desinformação, discursos de ódio e assédio, além de ataques simbólicos e discursivos. Um dado alarmante é que 69 dos episódios de violência foram direcionados a mulheres negras, enquanto apenas 8 afetaram mulheres brancas.
Esses ataques têm como objetivo não apenas intimidar as vítimas, mas também interromper suas atividades políticas e desmotivar outras mulheres a seguir carreiras políticas. O estudo será apresentado à Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27), juntamente com recomendações para combater esse tipo de violência.






Deixe um comentário