A apenas cinco dias do segundo turno da eleição presidencial, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu ampliar a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL). Ex-tucano e integrante da chapa petista, Alckmin foi escalado para questionar a proposta do adversário de cortar quase R$ 200 bilhões do Orçamento federal e associar o plano às medidas de austeridade adotadas pelo presidente argentino Javier Milei.
A entrada de Alckmin na ofensiva eleitoral ocorre após aliados defenderem maior protagonismo do vice-presidente na campanha. Em reunião no Palácio do Planalto, logo depois do primeiro turno, integrantes da equipe do governador eleito do Ceará, Elmano de Freitas, pediram uma estratégia com “menos Janja e mais Alckmin”, em referência ao destaque da primeira-dama nos atos de Lula pelo país.
Nesta terça-feira (20), o vice-presidente apareceu em um vídeo divulgado nas redes sociais do presidente, no qual questiona a viabilidade do ajuste fiscal anunciado pelo candidato do PL sem atingir programas sociais e direitos da população.
Alckmin usa exemplo da Argentina para atacar proposta de Flávio
Em uma gravação de tom informal, feita enquanto prepara um café, Alckmin cita medidas econômicas adotadas pelo governo de Javier Milei, incluindo mudanças nas regras de reajuste das aposentadorias, restrições ao seguro-desemprego e redução de programas de distribuição gratuita de medicamentos.
“Flávio Bolsonaro disse que pretende cortar quase R$ 200 bilhões do Orçamento. A pergunta que ele nunca responde é de onde pretende cortar esse dinheiro. A equipe econômica dele já disse que quer copiar as políticas adotadas na Argentina”, afirma Alckmin.
A campanha de Flávio estuda um ajuste equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro ano de um eventual governo, o que representaria aproximadamente R$ 200 bilhões.
À frente da formulação econômica do candidato, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques defende a substituição do atual arcabouço fiscal, instituído durante o governo Lula, por uma regra que considere a trajetória da dívida pública.
Entre as medidas mencionadas pela equipe estão a redução de supersalários, cargos comissionados e ministérios, além da participação dos demais Poderes no esforço de contenção de despesas. Entretanto, ainda não foi apresentado um detalhamento de como seria alcançada a economia pretendida.
“Apesar de prometer esse tesouraço e dizer que a Argentina é o modelo a ser seguido, Flávio jura de pé junto que não pretende cortar benefícios sociais. E é por isso que a conta não fecha de jeito nenhum”, declara o vice-presidente.
Vice-presidente endurece discurso na reta final
Além de questionar o plano econômico, Alckmin utiliza o vídeo para atacar a credibilidade das promessas de Flávio Bolsonaro. O vice-presidente menciona o Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro, o caso das rachadinhas e a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1.
“Ou ele está mentindo para você, eleitor, e não vai fazer corte nenhum, ou ele está escondendo quem vai perder com esse corte”, afirma.
A estratégia busca colocar o ajuste fiscal no centro do debate eleitoral, pressionando o adversário a explicar quais despesas seriam efetivamente reduzidas. Flávio, por sua vez, sustenta que pretende diminuir os gastos públicos sem cortar benefícios sociais.
Campanha muda abordagem após decisão do TSE
A nova ofensiva ocorre depois de um revés da campanha petista na Justiça Eleitoral. No início de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de uma propaganda que relacionava a proposta de Flávio à redução de recursos de programas como Farmácia Popular, Pé-de-Meia e Minha Casa, Minha Vida.
A decisão considerou que não havia elementos suficientes para atribuir ao candidato do PL a intenção de promover esses cortes específicos.
Agora, com Alckmin assumindo maior protagonismo a poucos dias da votação, a campanha de Lula procura explorar a ausência de detalhes sobre o ajuste de R$ 200 bilhões, sem afirmar diretamente que determinados programas serão atingidos.
A participação do vice-presidente também atende à pressão de aliados por uma atuação mais intensa do ex-governador paulista, cuja trajetória política e experiência administrativa são vistas como instrumentos para disputar o debate econômico nesta fase decisiva da eleição.







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