A Prefeitura de São José do Egito, no Sertão de Pernambuco, suspendeu o show do cantor Zezé Di Camargo que estava previsto para o dia 4 de janeiro, como atração principal da tradicional Festa de Reis. A decisão foi anunciada na noite da última segunda-feira (15) e ocorreu após a repercussão de declarações feitas pelo artista envolvendo o SBT, que acabaram gerando forte controvérsia nas redes sociais.
O contrato previa o pagamento de R$ 500 mil ao cantor, valor que seria custeado com recursos públicos, inclusive verbas federais repassadas ao município, por meio de inexigibilidade de licitação. O cachê estava dividido em duas parcelas de R$ 250 mil, previstas no orçamento da Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Juventude para os exercícios de 2025 e 2026.
Decisão da prefeitura e justificativa oficial
Ao comunicar a suspensão do contrato, o prefeito Fredson Brito (Republicanos) afirmou que a decisão foi tomada para preservar a imagem do município e evitar que a cidade fosse associada a disputas externas. Em nota oficial divulgada nas redes sociais, ele declarou:
“Não aceito, em hipótese alguma, que São José do Egito seja colocado no centro de polêmicas decorrentes de questões individuais de quem quer que seja — seja artista, profissional liberal ou qualquer pessoa, de qualquer área. Nossa cidade não pode e não será palco para especulações, rotulações ou narrativas que não representam os valores da nossa gente”.
Segundo o prefeito, a medida teve caráter administrativo e buscou proteger a população e a imagem da cidade diante da repercussão nacional do episódio.
A polêmica envolvendo Zezé Di Camargo e o SBT
A controvérsia teve início após Zezé Di Camargo publicar um vídeo em seu perfil no Instagram no qual afirmou que o SBT teria “se prostituído” ao convidar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes para a inauguração do SBT News, realizada na sexta-feira (12).
Na mesma gravação, o cantor pediu de forma enfática que fosse suspensa a exibição de um Especial de Natal já gravado por ele para a emissora, programado para ir ao ar na quarta-feira (17).
A repercussão levou a uma reação pública do SBT. A presidente da emissora e filha de Silvio Santos, Daniela Beyruti, divulgou uma carta aberta comentando o episódio. Pouco depois, o canal anunciou oficialmente que o programa especial não seria mais exibido. Na carta, Daniela afirmou:
“Nos últimos dias, minha família tem sido alvo de críticas, antes mesmo de apresentarmos a nossa proposta para o SBT News. Isso é exatamente o que queremos combater: a falta de diálogo entre um povo que tem muitas virtudes e que amamos tanto”.
Uso de verbas públicas no contrato
O contrato firmado entre o município e o artista previa o uso de recursos públicos, incluindo repasses federais, para custear o cachê. O modelo de contratação por inexigibilidade de licitação é permitido quando há inviabilidade de competição, como em apresentações artísticas de renome nacional, mas o valor e o contexto político da contratação passaram a ser alvo de críticas após a polêmica.
A prefeitura destacou que a suspensão não teve motivação ideológica, mas administrativa, diante do risco de a cidade se tornar foco de debates alheios à sua realidade local.
Substituição do show e reforço a artistas locais
Na mesma nota, o prefeito Fredson Brito anunciou a contratação imediata da banda Seu Desejo, formada por Yara Tchê e Alessandro, que se apresentará na Festa de Reis no dia 4 de janeiro de 2026. Segundo ele, a mudança garante a continuidade do evento sem prejuízo à programação cultural.
No texto, o prefeito também destacou que a próxima edição da festa terá o maior investimento da história em artistas locais, reforçando o compromisso com a cultura regional. Ele afirmou:
“Temos o orgulho de anunciar que esta edição dessa festa centenária terá ampliado o investimento em artistas locais — será o maior da história. Estes que estão presentes desde o início e vão permanecer nos eventos do município nos próximos anos”.
A nota finaliza com um discurso de valorização da identidade cultural da cidade e de rejeição a conflitos externos, reafirmando que São José do Egito “não é espaço para plantar discórdias nem para alimentar falsas especulações”.






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