O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29) que pretende indicar novamente o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A declaração foi feita durante um evento da Petrobras em Sergipe, semanas após o Senado rejeitar o nome do ministro em uma votação considerada uma derrota histórica para o governo federal.
Durante o discurso, Lula afirmou que a rejeição de Messias ocorreu por razões políticas e saiu em defesa do aliado.
“Eu perdi a indicação do meu ministro da Suprema Corte e eu fiquei triste porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica, porque é um dos melhores advogados desse país, ele não foi derrotado porque ele tem alguma ficha suja na vida dele, é um dos homens mais íntegros desse país. Ele foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer, senadores? Eu vou mandar o Messias outra vez”, declarou o presidente.
Fala ocorreu após vaias a senador em evento
A declaração aconteceu enquanto Lula repreendia parte da plateia que havia vaiado o senador Laércio Oliveira, presente no evento ao lado do presidente. O chefe do Executivo aproveitou o momento para defender a necessidade de diálogo político entre o governo e partidos adversários, informa a CNN Brasil.
Segundo Lula, o Partido dos Trabalhadores possui minoria no Congresso Nacional e, por isso, precisa manter interlocução até com opositores para aprovar projetos de interesse do país.
“É preciso não confundir a disputa eleitoral com a governança. Na governança, eu preciso dos amigos, dos meio-amigos e dos inimigos. Quando o projeto é de interesse brasileiro, eu não tenho vergonha de conversar com nenhum político”, afirmou.
Senado rejeitou indicação em abril
A derrota de Jorge Messias ocorreu em 30 de abril, quando o Senado analisou sua indicação para o STF. Apesar de ter recebido aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o advogado acabou rejeitado no plenário por 42 votos contrários e 34 favoráveis.
Nos bastidores, a articulação para barrar a indicação foi liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco para ocupar a vaga na Suprema Corte.
Além da movimentação política no Congresso, especialistas também apontaram falhas na articulação do governo como um dos fatores que contribuíram para a rejeição inédita de um indicado ao STF.
Lula mantém aposta em Jorge Messias
Mesmo após a derrota no Senado, Lula já havia sinalizado a aliados que não pretendia desistir da indicação de Jorge Messias. Segundo relatos de bastidores, o presidente se reuniu com o advogado após a votação e reafirmou que considera o ministro o nome mais adequado para a vaga.






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