O governo federal reagiu com dureza à articulação de integrantes da família Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos para classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Em nota divulgada nesta quinta-feira, o Palácio do Planalto classificou a iniciativa como “deplorável” e afirmou que a movimentação representa uma tentativa de pressionar autoridades estrangeiras contra o Brasil.
O texto divulgado pelo governo menciona diretamente possíveis impactos econômicos e financeiros decorrentes de medidas adotadas pelos EUA, incluindo riscos ao PIX, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. Segundo o Planalto, ações unilaterais poderiam comprometer o compartilhamento de informações entre forças de segurança e gerar prejuízos à economia nacional.
“Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, afirma um trecho da nota oficial. O governo também declarou que medidas externas “podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime”.
Decisão dos EUA tomada após encontro entre Flávio e Trump
A crise diplomática ganhou força após o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Segundo o parlamentar, ele solicitou formalmente que o governo americano reconhecesse o PCC e o CV como organizações terroristas.
Flávio também se encontrou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, responsável pela decisão oficial sobre a classificação das facções. O governo brasileiro avalia que esse tipo de articulação abre precedente para sanções e medidas internacionais contra o país.
Na avaliação do Planalto, a iniciativa se soma a outros episódios recentes de pressão internacional, como o chamado “tarifaço” imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros. O governo também associou a movimentação ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro, acusado de defender sanções estrangeiras após a condenação do pai pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.
Governo fala em soberania e critica “falsos patriotas”
Sem citar nominalmente integrantes da oposição no trecho mais duro da nota, o Planalto afirmou que há “falsos patriotas” tentando estimular interferência externa em assuntos internos do Brasil.
“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”, declarou o governo. Em outro trecho, o texto afirma que a segurança pública “é importante demais para ser manipulada politicamente”.
O governo brasileiro argumenta que facções criminosas como PCC e CV atuam prioritariamente visando lucro por meio do tráfico de drogas e armas, sem motivação ideológica, religiosa ou política — característica considerada central para enquadramento em terrorismo pela legislação brasileira.
Pela lei brasileira, terrorismo envolve atos praticados “por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião”, com o objetivo de provocar terror social ou generalizado.
Planalto teme consequências internacionais
Nos bastidores do governo, auxiliares avaliam que a classificação das facções como terroristas poderia abrir espaço para medidas mais severas por parte dos Estados Unidos, incluindo pressões diplomáticas, sanções econômicas e até discussões sobre eventual intervenção internacional.
A nota também sustenta que o Brasil já endureceu sua legislação contra o crime organizado. O Planalto destacou a aprovação recente de uma lei que aumenta penas para integrantes de facções e milícias, chegando a até 80 anos de prisão.
O governo afirmou ainda que mantém cooperação com autoridades internacionais no combate ao crime organizado e revelou ter apresentado, em abril, uma proposta formal aos EUA para ampliar ações conjuntas de inteligência, combate à lavagem de dinheiro e controle do tráfico internacional de armas.
Apesar disso, o texto reforça que o Brasil não aceitará medidas consideradas arbitrárias. “A soberania nacional é inegociável”, conclui a nota oficial do govern






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