Em um gesto visto por aliados como importante para recuperar força política, o senador Flávio Bolsonaro foi recebido nesta terça-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington. O encontro ocorre no momento mais delicado da pré-campanha do parlamentar à Presidência da República, após semanas de desgaste causadas pelas revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Segundo Flávio Bolsonaro, a conversa com Donald Trump teve como foco temas ligados à democracia e ao combate ao crime organizado. Em entrevista após o encontro na Casa Branca, o senador afirmou ter defendido uma aproximação apenas com países democráticos e pediu ao presidente americano que classifique o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
“Eu falei sobre duas pautas, dizendo que vou abraçar apenas países que são democracias e também fiz uma outra diferenciação em relação ao presidente Lula: disse a ele (Trump) para declarar PCC e CV como organizações terroristas”, afirmou após a reunião.
Articulação de Marco Rubio
A reunião foi articulada, segundo aliados do senador, por interlocutores ligados ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O encontro também contou com a participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive atualmente nos Estados Unidos, e do influenciador Paulo Figueiredo, ambos ligados ao entorno do bolsonarismo no país.
Entre os assuntos discutidos estiveram segurança pública, cooperação internacional no combate ao crime organizado e investimentos estratégicos. A possibilidade de os Estados Unidos incluírem PCC e CV na lista de organizações terroristas é vista com apoio por Flávio Bolsonaro, de acordo com interlocutores da viagem.
Nos bastidores do PL, a reunião foi interpretada como uma demonstração de prestígio internacional e uma tentativa de reposicionar Flávio no cenário político brasileiro. Integrantes da legenda avaliam que a aproximação com Trump reforça a imagem do senador junto ao eleitorado conservador e amplia sua visibilidade para a disputa de 2026.

A viagem a Washington mobilizou uma comitiva de aliados. Do lado de fora da Casa Branca, aguardavam o senador os deputados estaduais Cristiano Caporezzo (PL-MG), Leandro de Jesus (PL-BA), Gil Diniz (PL-SP) e Paulo Mansur (PL-SP), além do vereador de Manaus Coronel Rooses.
O encontro no salão Oval contou com a presença do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo. Segundo Figueiredo, a reunião durou cerca de 1h40. Ele afirmou que não poderia revelar os temas discutidos, mas destacou que Trump recebeu Flávio Bolsonaro “de forma muito calorosa”.
“A primeira pergunta do Trump foi ‘como está o seu pai’”, relatou Paulo Figueiredo ao comentar os bastidores do encontro.
Facções criminosas, um dos temas do encontro
Segundo Caporezzo, um dos assuntos de interesse do governo americano é a possibilidade de enquadrar facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas. A pauta dialoga diretamente com o discurso de segurança pública defendido por Flávio Bolsonaro, que pretende adotar uma política de “tolerância zero” contra o crime organizado caso avance na corrida presidencial.
Já o deputado Leandro de Jesus afirmou que o encontro foi articulado a partir de um convite do próprio governo americano. Para aliados, o gesto de Trump sinaliza reconhecimento político internacional ao senador brasileiro e fortalece a narrativa de que Flávio pode se consolidar como principal nome da direita para a sucessão presidencial.
Encontro articulado por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo
Antes da reunião, Flávio passou a manhã em conversas reservadas com o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o comunicador Paulo Figueiredo. O grupo discutiu os detalhes da agenda e a estratégia política da viagem aos Estados Unidos.
Até o início da tarde, no entanto, o encontro ainda não aparecia oficialmente na agenda divulgada pela Casa Branca, o que gerou apreensão entre integrantes do PL diante do temor de cancelamento ou mudança de última hora. Enquanto aguardavam a confirmação definitiva do governo americano, Flávio e Eduardo permaneceram hospedados no tradicional hotel The Willard, endereço frequentemente associado a aliados do trumpismo em Washington.






Deixe um comentário