Após defender o retorno do trabalho infantil, o pré-candidato à Presidência Romeu Zema, do partido Partido Novo, apresentou uma proposta de reformulação do Bolsa Família que prevê novas exigências para beneficiários considerados aptos ao trabalho. A principal mudança sugerida é a vinculação do recebimento do auxílio à aceitação de oportunidades de emprego.
As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band, em que Zema afirmou que pretende manter o programa social para quem realmente necessita, mas com ajustes voltados ao combate de fraudes e à inserção de beneficiários no mercado formal.
Mudança nas regras do benefício
Segundo o pré-candidato, o modelo que ele pretende implementar prevê que beneficiários recebam uma lista de vagas de emprego disponíveis e possam recusar apenas uma das opções apresentadas. A proposta busca, de acordo com ele, evitar que pessoas aptas ao trabalho permaneçam no programa sem buscar colocação profissional.
“Bolsa Família e programas sociais são importantíssimos. Nós vamos manter para quem precisa. Sabemos que tem muita fraude, que eu vou combater. E também não vou pagar auxílio do governo, Bolsa Família, para os marmanjões, que é o que mais está crescendo no Brasil. Nós estamos criando uma geração de imprestáveis”, disse.
O político também argumentou que há oportunidades formais disponíveis no país e criticou comportamentos que, segundo ele, estariam associados à dependência do benefício.
“Há vagas com carteira assinada, e marmanjão fica em casa, nas redes sociais, na Netflix, e prefere receber o auxílio governamental, não estuda, não trabalha, vive às custas do governo, e de vez em quando, faz um bico para complementar a renda”, afirmou.
Críticas à informalidade
Zema associou o atual formato do programa a um estímulo indireto à informalidade. Na avaliação do pré-candidato, parte dos beneficiários complementa a renda com trabalhos sem vínculo formal e permanece no programa por longos períodos.
“Hoje nós temos um incentivo a essa informalidade, à perpetuação desta situação, em que o pai já viveu assim e o filho está aprendendo a viver. Ele ganha com os bicos mais R$ 1.000, não tem nenhum compromisso com horário e aprendizado. Daqui a 10 ou 15 anos, ele continuará totalmente desqualificado como está hoje”, declarou.
A proposta, segundo ele, teria como objetivo incentivar a qualificação profissional e a inserção no mercado formal de trabalho. Apesar da fala do pré-candidato, dados recentes apontam que o programa ajuda famílias a romperem o ciclo de pobreza: dez adolescentes que viviam em famílias beneficiárias do Bolsa Família em 2014 deixaram de depender do programa até 2025.
Declarações sobre jovens e trabalho
No fim de semana, Zema também se manifestou após repercussão de declarações feitas em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., em que mencionou a possibilidade de crianças “ajudarem” em atividades consideradas simples.
Após críticas nas redes sociais, o ex-governador afirmou que sua defesa está centrada na ampliação de oportunidades para adolescentes, com garantia de proteção e sem prejuízo à educação formal. Ele citou a legislação brasileira que permite o trabalho como aprendiz a partir dos 14 anos.
“Educação e trabalho digno são o que formam caráter, disciplina e futuro. No Brasil, isso já é permitido a partir dos 14 anos como aprendiz, mas precisamos ampliar essas oportunidades com proteção, sem atrapalhar a escola, como já acontece em muitos países desenvolvidos. Agora, vamos falar a realidade aqui: milhões de jovens já trabalham hoje na informalidade, sem regra e nenhuma proteção”, afirmou.






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