Suspeito de matar estudante brasileira no Paraguai se entrega à polícia

Caso envolve crime brutal em Ciudad del Este e levanta suspeita de feminicídio

O estudante de medicina Vitor Rangel Aguiar, de 27 anos, se apresentou à polícia na manhã desta segunda-feira (4), em São Luís (MA), após ser apontado como principal suspeito do assassinato da também estudante Julia Vitória Sobierai Cardoso, de 22 anos, ocorrido no Paraguai. Natural do Maranhão, ele era considerado foragido desde o dia 24 de abril, data do crime, e tinha contra si um pedido de captura internacional.

Segundo informa o portal g1, a apresentação ocorreu na Casa da Mulher Brasileira, e, segundo a Polícia Civil do Maranhão, o suspeito compareceu espontaneamente à Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP). Até o momento, a defesa não se pronunciou sobre o caso.

Crime ocorreu em apartamento no Paraguai

O homicídio foi registrado em um apartamento localizado em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil. Julia dividia o imóvel com uma amiga quando foi morta.

De acordo com o Ministério Público do Paraguai, as investigações indicam que o crime pode ter sido motivado pelo término do relacionamento entre a vítima e o suspeito. Ainda segundo os investigadores, Vitor não aceitava o fim da relação e teria mantido contato frequente com a estudante.

No dia do crime, ele teria ido ao local sob o pretexto de conversar.

Detalhes da investigação

As autoridades paraguaias apontam que o suspeito permaneceu por horas no apartamento antes de fugir. Durante a ação, ele teria levado o celular da vítima. Os objetos utilizados no crime foram apreendidos.

O promotor Osvaldo Zaracho Romero, responsável pelo caso, detalhou a dinâmica da ocorrência e reforçou a hipótese de crime motivado por questões pessoais.

“Este homem provavelmente não tinha aceitado [o fim do relacionamento] e ele estava se aproximando dela novamente como amigo. Na sexta-feira, ele foi ao apartamento onde ela morava, supostamente para conversar”, disse Zaracho.

Violência do crime

Segundo o Ministério Público, Julia foi morta com extrema violência. A investigação aponta que ela sofreu 58 golpes de tesoura de unha e outros sete de faca. O laudo da autópsia também indicou sinais de estrangulamento.

A brutalidade do crime gerou forte repercussão e mobilizou autoridades dos dois países.

História e trajetória da vítima

Natural de Chapecó, Julia vivia com a família em Navegantes antes de se mudar para o Paraguai, em 2025, para cursar medicina na Universidad de la Integración de las Américas.

Amigos descrevem a jovem como dedicada e comprometida com os estudos. O objetivo profissional era atuar na área de pediatria.

A amiga Sara Cazarotto relembrou a convivência e destacou características pessoais de Julia.

“A Julia foi um dos seres humanos mais lindos que eu já conheci, um coração puro e de uma bondade genuína! Realizamos nosso sonho juntas, por apoio dela, uma menina que inspirava qualquer pessoa ao seu redor. Linda, amável, cuidadosa e estudiosa”, relatou.

As duas se conheceram ainda na adolescência, em Navegantes, e chegaram a viajar juntas para a Europa no início de 2026.

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