O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reagiu nesta segunda-feira (11) à ofensiva de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro contra a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que interditou lotes de produtos da Ypê. Segundo Padilha, a medida teve caráter exclusivamente técnico e contou com participação de órgãos ligados ao governo de Tarcísio de Freitas, além de um diretor da Anvisa indicado durante a gestão Bolsonaro.
A declaração foi dada após apoiadores bolsonaristas iniciarem campanhas nas redes sociais acusando a Anvisa de perseguição política contra a empresa. O ministro afirmou que há tentativa de transformar um tema sanitário em disputa ideológica.
“Tivemos uma enxurrada de vídeos irresponsáveis que desinformam a população. A Anvisa não tem lado partidário. Tem apenas um lado: a proteção da saúde das famílias brasileiras”, declarou Padilha.
Fiscalização começou antes
A crise envolvendo a Ypê começou após a Anvisa determinar, na última quarta-feira, o recolhimento de lotes de detergentes, lava-roupas e desinfetantes produzidos na fábrica da empresa em Amparo, no interior paulista.
Os produtos atingidos foram identificados com lotes terminados em “1”, além da suspensão temporária da fabricação na unidade.
Segundo o relatório da fiscalização, técnicos encontraram problemas estruturais e risco potencial de contaminação microbiológica durante inspeções realizadas no fim de abril. Participaram da ação representantes da Vigilância Sanitária estadual de São Paulo, da Vigilância Municipal de Amparo e da própria Anvisa.
Padilha destacou que o processo de acompanhamento sanitário já vinha sendo realizado havia meses e não surgiu recentemente.
Diretor indicado por Bolsonaro
Ao responder às críticas da oposição, o ministro ressaltou que o diretor técnico da Anvisa responsável pela área envolvida no processo, Daniel Meirelles Fernandes Pereira, foi indicado ao cargo durante o governo Bolsonaro.
“O diretor da área foi indicado no governo Bolsonaro, atuou no Ministério da Saúde naquele período e hoje cumpre uma função técnica dentro da agência”, afirmou.
Segundo Padilha, a própria empresa já havia identificado anteriormente a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes produzidos na unidade de Amparo. “Quando uma bactéria desse tipo aparece em um produto como esse, isso acende um alerta importante sobre possíveis falhas no processo produtivo”, disse.
Disputa ganhou as redes
Nos últimos dias, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a publicar vídeos ironizando a decisão da Anvisa e consumindo detergente da marca em sinal de apoio à empresa. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também publicou imagens com produtos da Ypê nas redes sociais.
A empresa apresentou recurso administrativo contra a decisão da Anvisa e conseguiu suspender temporariamente os efeitos da interdição até nova análise da diretoria colegiada da agência, prevista para quarta-feira.
As declarações de Padilha ocorreram durante evento dos ministérios da Saúde e das Comunicações sobre ampliação da conectividade em unidades básicas de saúde em regiões remotas do país.






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