A trajetória política de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro voltou ao centro do debate político após um levantamento apontar que o atual pré-candidato à Presidência concentrou grande parte de seus discursos na defesa das forças de segurança pública, deixando temas como saúde e educação em segundo plano.
Segundo análise publicada pela Folha de São Paulo, ao menos 76 dos 214 pronunciamentos feitos por Flávio entre 2003 e 2018 trataram diretamente de reajustes salariais, benefícios, aposentadorias e ampliação de efetivo para policiais, bombeiros e agentes penitenciários.
O levantamento analisou mais de 12 mil discursos de deputados estaduais no período e concluiu que a segurança pública foi o tema dominante em 68% das falas do então parlamentar, índice quatro vezes superior à média dos demais deputados da Casa. Saúde apareceu como tema principal em apenas três discursos, enquanto educação surgiu em quatro ocasiões.
Defesa da segurança
Nos pronunciamentos feitos na tribuna da Alerj, Flávio Bolsonaro defendeu sucessivos reajustes salariais para policiais militares e bombeiros, além de criticar propostas de mudanças previdenciárias que atingiam militares estaduais.
Em um discurso de 2005, o então deputado apoiou reajustes que poderiam elevar os salários das forças de segurança do Rio aos níveis praticados no Distrito Federal. Já em outras ocasiões, criticou o aumento do tempo mínimo de serviço para aposentadoria de policiais e bombeiros.
“Vou repetir, a tropa quer salário”, afirmou Flávio em pronunciamento realizado em agosto de 2009.
Segundo a equipe do senador, a prioridade dada à segurança pública refletia a preocupação com o avanço do crime organizado no estado do Rio de Janeiro.
Posições ideológicas
Os discursos também registraram posicionamentos polêmicos do parlamentar sobre temas ideológicos e sociais. Segundo a reportagem da Folha, Flávio fez críticas às políticas de cotas raciais, manifestou defesa do regime militar de 1964 em diferentes ocasiões e reproduziu discursos alinhados ao conservadorismo do grupo político liderado por seu pai, Jair Bolsonaro.
Em pelo menos 12 discursos, o então deputado fez elogios diretos ao período militar. Em uma das falas, em 2010, afirmou que mantinha posição de “resistência à inversão de valores” da sociedade brasileira.
Também foram identificadas declarações contrárias ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e críticas a gastos públicos ligados a políticas sociais e direitos humanos.
Pré-campanha moderada
O levantamento ocorre em meio ao esforço de Flávio Bolsonaro para construir uma imagem mais moderada na pré-campanha presidencial de 2026.
Aliados do senador vêm tentando ampliar o diálogo com setores do centro político e reduzir a associação direta com o estilo mais radicalizado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na área econômica, integrantes próximos à pré-campanha defendem propostas de austeridade fiscal, privatizações e controle de gastos públicos.
A assessoria de Flávio afirmou à Folha que o senador também atuou em áreas como saúde, mobilidade, defesa do consumidor, direitos das pessoas com deficiência e infraestrutura, além de ter destinado recursos para hospitais e obras no estado do Rio.





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