Voto ‘Tarula’: Tarcísio tem mais de 1,6 milhão de votos que Flávio em SP

Governador foi reeleito no primeiro turno com 13,8 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro teve 12,2 milhões no estado

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O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito neste domingo (4), no primeiro turno, em São Paulo, com uma votação superior à de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Tarcísio recebeu 13,8 milhões de votos, enquanto Flávio alcançou 12,2 milhões no estado, uma diferença de aproximadamente 1,6 milhão de votos.

O resultado também mostrou uma diferença entre as votações de Lula (PT) e Fernando Haddad (PT). O presidente recebeu 9,5 milhões de votos em São Paulo, enquanto Haddad, candidato ao governo estadual, teve 8,4 milhões.

A diferença entre os desempenhos dos candidatos reforça a presença do chamado voto “Tarula”, expressão usada para identificar eleitores que escolheram Lula para presidente e Tarcísio para governador.

Voto cruzado aparece em diferentes regiões

O fenômeno havia sido identificado durante a campanha por pesquisas de intenção de voto. A combinação reúne eleitores que aprovam a administração de Tarcísio e mantêm posições conservadoras, mas que não necessariamente seguem o bolsonarismo ou a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Para Felipe Nunes, CEO da Quaest, Tarcísio conseguiu avançar sobre uma parcela do eleitorado de esquerda e lulista. O movimento, segundo ele, é diferente do desempenho de Haddad entre eleitores de direita.

O professor da FGV Marco Antonio Carvalho Teixeira classificou esse eleitor como pragmático, considerando que fatores ligados à administração estadual podem pesar mais na escolha para governador do que a identificação ideológica.

Tarcísio amplia distância em relação a Flávio

A diferença de 1,6 milhão de votos em São Paulo dá ao governador uma posição eleitoral mais forte no estado do que a do candidato presidencial do mesmo campo político. Tarcísio também reduz, com o resultado, sua dependência do apoio direto da família Bolsonaro.

A votação mostra ainda a importância do eleitor que escolhe candidatos de diferentes grupos políticos para cargos distintos. Em uma eleição presidencial disputada, esse tipo de transferência pode ter impacto no resultado nacional.

O desempenho de Lula também ficou acima do registrado por Haddad. A diferença de 1,1 milhão de votos entre os dois petistas indica que parte dos eleitores paulistas que votou no presidente não repetiu a escolha para o governo estadual.

Região metropolitana concentra voto ‘Tarula’

O voto cruzado apareceu com maior intensidade em municípios da região metropolitana de São Paulo, área que concentra quase metade do eleitorado paulista. Dos 39 municípios da região, 13 elegeram Tarcísio para o governo estadual e registraram votação maior para Lula na disputa presidencial.

Na capital paulista, Flávio Bolsonaro recebeu 7% menos votos do que Tarcísio. O padrão também apareceu no Vale do Paraíba, no Vale do Ribeira, no Pontal do Paranapanema e em municípios da região de Araraquara.

Em Jeriquara, na região de Franca, por exemplo, Tarcísio teve mais de 15% de vantagem sobre Flávio, mesmo com Lula não tendo vencido no município.

Diferenças também aparecem em cidades do interior

Em São José do Barreiro, no leste paulista, e Iporanga, no oeste do estado, Lula registrou mais de 14% de diferença em relação ao desempenho de Haddad.

Araraquara não apresentou o mesmo padrão do voto “Tarula”. Municípios próximos, porém, registraram comportamento semelhante. Santa Lúcia, Gavião Peixoto e Américo Brasiliense elegeram Tarcísio para o governo e deram vantagem a Lula na disputa presidencial.

O resultado em São Paulo mostra, portanto, que a votação de Tarcísio ultrapassou a de Flávio em diferentes regiões do estado, enquanto Lula também teve desempenho superior ao de Haddad. A diferença evidencia a presença do voto cruzado entre eleitores paulistas.

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