Vorcaro diz que R$ 5 milhões para Bolsonaro e Tarcísio eram propina

Ex-banqueiro afirmou que R$ 2 milhões destinados à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões à de Bolsonaro integraram contrapartida por suposto acordo envolvendo Kassab para manter o Credcesta em São Paulo

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O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em proposta de delação premiada que R$ 5 milhões em doações eleitorais oficiais destinadas às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022, teriam sido pagos como contrapartida de um suposto acordo para garantir a continuidade do Credcesta no governo de São Paulo. As informações foram reveladas pelo UOL nesta quinta-feira (3).

Segundo o relato de Vorcaro, R$ 2 milhões foram destinados à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões à tentativa de reeleição de Bolsonaro. As contribuições foram feitas oficialmente por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e investigado na Operação Compliance Zero.

A proposta de delação de Vorcaro, porém, foi rejeitada. O relato foi apresentado em três versões, recusadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República sob a justificativa de falta de fatos inéditos e de elementos de corroboração.

Vorcaro cita suposto acordo com Kassab

De acordo com a versão apresentada pelo ex-banqueiro, as doações teriam sido “contrapartidas financeiras” decorrentes de um suposto “ajuste indevido” envolvendo Gilberto Kassab, presidente do PSD.

Vorcaro afirmou ter recebido de Augusto Lima, então executivo do Master responsável pelo Credcesta, a informação sobre a suposta negociação. O objetivo seria garantir a continuidade do cartão de crédito consignado para servidores públicos na futura gestão de Tarcísio.

Segundo o relato, inicialmente a contribuição de R$ 5 milhões seria realizada em dinheiro. Vorcaro alegou, porém, que Kassab ou interlocutores teriam informado que partidos parceiros precisavam receber os recursos por meio de doações eleitorais oficiais.

Vorcaro disse então ter acionado Fabiano Zettel para realizar as contribuições destinadas às campanhas de Tarcísio e Bolsonaro.

Relato menciona mais R$ 10 milhões

A proposta de delação contém uma acusação adicional. Vorcaro afirmou que, além dos R$ 5 milhões em doações oficiais, aproximadamente R$ 10 milhões teriam sido pagos em espécie a pessoas que atuariam como intermediárias de Kassab.

Segundo o relato, esse dinheiro teria como destino campanhas do PSD. A alegação, assim como as demais acusações da proposta de colaboração, ainda depende de investigação e comprovação.

Kassab e Tarcísio negam

Kassab negou as acusações e classificou o relato como fantasioso e sem sustentação factual. O presidente do PSD afirmou conhecer Augusto Lima, mas negou ter discutido com ele doações eleitorais, o Credcesta ou qualquer pagamento.

Tarcísio também negou envolvimento. Em nota, afirmou não ter relação com Daniel Vorcaro e disse que sua campanha de 2022 recebeu recursos de mais de 600 doadores, teve as contas apresentadas à Justiça Eleitoral e seguiu a legislação.

O governador acrescentou que o credenciamento da empresa responsável pelo Credcesta ocorreu em maio de 2022, antes de sua gestão, e que a habilitação não constitui contrato nem envolve repasses de recursos públicos.

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