A crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação de conversas envolvendo Daniel Vorcaro ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (3). O ministro Alexandre de Moraes acusou o colega André Mendonça de parcialidade e de condutas que, segundo ele, poderiam configurar improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
A manifestação foi encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, para a adoção das providências que considerar cabíveis. O documento está inserido no âmbito do Inquérito das Fake News.
A reação de Moraes ocorre depois de Mendonça retirar o sigilo de relatório da Polícia Federal que revelou conversas entre o ministro e Vorcaro.
Moraes fala em favorecimento político
Na manifestação, Moraes sustenta que Mendonça teria praticado uma série de condutas incompatíveis com a imparcialidade judicial.
Entre as acusações, o ministro afirma que o colega teria favorecido determinados grupos políticos e questiona a forma como Mendonça atuou na condução das investigações.
Moraes também acusa o colega de ter usurpado a direção das apurações realizadas pelas autoridades policiais.
Outro ponto levantado é a condução das tratativas relacionadas a uma eventual colaboração premiada de Daniel Vorcaro. Segundo Moraes, teria ocorrido direcionamento de determinados alvos para investigação por razões pessoais e políticas.
Moraes cita investigação sobre ele e Alcolumbre
A manifestação menciona especificamente o próprio Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como alvos que, segundo a acusação apresentada pelo ministro, teriam sido direcionados para investigação.
Moraes afirma ainda que teria ocorrido indicação prévia de medidas cautelares a serem posteriormente apresentadas pela Polícia Federal.
As acusações elevam o grau de tensão dentro do Supremo justamente quando a Corte enfrenta questionamentos em decorrência das informações encontradas pela PF no âmbito das investigações envolvendo Vorcaro.
Fachin recebe nova crise para administrar
O documento coloca Edson Fachin no centro de mais um desdobramento da crise. Como presidente do STF, caberá a ele avaliar quais providências serão tomadas diante das acusações apresentadas por Moraes contra outro integrante da Corte.
A movimentação acontece depois de dias de tensão provocados pela retirada do sigilo do relatório policial que identificou Moraes como um dos interlocutores de Vorcaro.
As mensagens enviadas pelo empresário colocaram o Supremo sob pressão e abriram uma discussão interna sobre os procedimentos adotados na investigação e sobre a eventual necessidade de o plenário da Corte analisar o caso.







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