Três parlamentares e dois ex-ministros do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro viajaram juntos em um jato executivo com destino a São Paulo, segundo registros de acesso ao hangar de aviação executiva no Aeroporto de Brasília. O embarque ocorreu no dia 28 de agosto do ano passado, por volta das 15h.
Entre os passageiros estavam o senador Ciro Nogueira (PP-PI), os deputados Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Rodrigo Gambale (Podemos-SP), além dos ex-ministros Fábio Faria e Bruno Bianco. A aeronave pertenceria ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Dados de plataformas de rastreamento aéreo mostram que o avião decolou às 15h36 e pousou no Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, às 16h57. A viagem ocorreu em uma quinta-feira, período em que parlamentares costumam deixar Brasília após sessões legislativas no início da semana.
Registros de voo e movimentação no hangar
Não há registros de outros voos executivos com o mesmo destino até as 19h daquele dia, o que reforça a identificação da aeronave utilizada pelo grupo. O acesso ao hangar foi documentado oficialmente, indicando a presença simultânea dos passageiros.
Relatos de pessoas que estavam no voo confirmam o embarque coletivo e apontam que parte dos ocupantes não tinha relação direta com o empresário, utilizando a viagem como carona. Publicações em redes sociais também registraram a presença de integrantes do grupo em São Paulo pouco após o desembarque.
Mensagens e deslocamentos sob análise
Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, obtidas por investigadores, indicam deslocamentos compatíveis com a viagem. Em conversa por aplicativo, o empresário informou já estar na capital paulista na noite do dia 28.
No dia anterior, 27 de agosto, também há registros de mensagens que indicam ida a Brasília para reuniões. Já no dia seguinte, 29, o senador Ciro Nogueira participou de um evento partidário em Botucatu, no interior de São Paulo.
Aeronave e conexões políticas
O avião utilizado é um Embraer Phenom 300, de prefixo PR-NGM, operado por empresas especializadas em gestão de aeronaves em regime de propriedade compartilhada. Esse modelo é comum na aviação executiva por sua autonomia e capacidade.
Dados extraídos de dispositivos ligados ao empresário indicam comunicação frequente com agentes políticos. Entre eles, o próprio Ciro Nogueira, citado em mensagens como “grande amigo”, além de dirigentes partidários como Antônio Rueda.
As informações integram um conjunto de dados analisados por investigadores e levantam questionamentos sobre a relação entre empresários e figuras públicas no uso de aeronaves privadas para deslocamentos políticos.





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