O deputado estadual Val Ceasa (PRD) alegou, nesta quinta-feira (18), que pediu ao então prefeito na época, Eduardo Paes (PSD), para transformar o resort de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, em uma Vila Olímpica. A declaração aconteceu em frente a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), enquanto a operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil, no qual o político é alvo, segue em curso.
Val Ceasa, o ex-vereador do Rio Ulisses Marins (União Brasil) e Michael Jhonny Vianna de Azevedo, ex-assessor parlamentar, são alvos da ação, que apura a suposta atuação de agentes públicos em favor da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Ao todo, são cumpridos 14 mandados de busca e apreensão.
“Eu fui no Eduardo Paes, pedi: ‘Eduardo Paes faz uma vila olímpica lá para dar dignidade ao povo’. Lá onde foi derrubado [o resort]. Porque aquilo lá está um abandono, largado, e o povo precisa. Deixaram as crianças brincando dentro do esgoto, dentro da lama. Por a gente trabalhar em comunidade, sofremos essa perseguição política de adversário. Vocês vão ver, eu vou sair como herói”, declarou à imprensa.
Armas e dinheiro são apreendidos
Segundo os investigadores, R$ 166 mil foram encontrados na residência do parlamentar e cerca de R$ 150 mil em outros imóveis vinculados a ele.
Os agentes apreenderam ainda cinco armas, 11 aparelhos celulares, computadores, dispositivos de armazenamento de dados e diversas munições. Não foi esclarecido em qual residência estavam os objetos.
No entanto, Suelen Silva dos Reis, conhecida como Suelen Bacana, ex-mulher do ex-vereador Zico Bacana que foi morto a tiros em 2023, e Michael, acabaram presos em flagrante. Os dois, que são um casal, foram detidos em Guadalupe, na Zona Norte da capital, por posse ilegal de arma de fogo.
Entenda o caso
De acordo com o Ministério Público, Val Ceasa é suspeito de manter relações com integrantes da facção criminosa. As investigações apontam que o deputado teria atuado para evitar a demolição de uma área conhecida como “resort do crime”, construída pelo chefão do TCP, Peixão, no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.
A investigação foi instaurada pela Procuradoria-Geral de Justiça após surgirem indícios de que parlamentares teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa que previa a demolição de imóveis ligados à organização criminosa em Parada de Lucas.
Segundo o MPRJ, os investigados teriam utilizado a influência dos cargos para alegar que os imóveis seriam destinados à prestação de serviços sociais. As apurações, entretanto, indicam que essa justificativa não correspondia à realidade. A operação policial acabou sendo adiada.
Os mandados foram autorizados pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e são cumpridos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na Ceasa e em outros endereços localizados na capital fluminense e no Espírito Santo. As buscas seguem em andamento.
Confira as notas sobre o caso
Prefeitura do Rio
Ulisses Marins foi indicado para um cargo de assistente na Secretaria Municipal de Fazenda em 2025. Em nota, a Prefeitura do Rio informou:
“O ex-vereador Ulisses de Almeida Marins não integra os quadros de servidores municipais. Os atos publicados no dia 10 de novembro de 2025 foram tornados sem efeito no dia 17 de novembro de 2025, pois a Prefeitura do Rio possui, desde 2021, um setor na Secretaria de Integridade que analisou e reprovou a sua nomeação.”
Alerj
“A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) informa que acompanha a operação realizada nesta quinta-feira pelo Ministério Público. A Casa reforça seu compromisso com a transparência e coloca-se à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações. A Alerj reitera que atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense.”






Deixe um comentário