Vitrine internacional pré-COP30: Câmara do Rio reúne parlamentares do Brasil e do mundo para debater crise climática

30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima acontece em novembro, em Belém, no Pará. Evento na Câmara serviu de termômetro para os debates que acontecerão na COP

Servindo de palco para os debates sobre as mudanças climáticas em todo o mundo, na antessala da COP30, a Câmara do Rio sediou um intenso Fórum Parlamentar ao longo de toda a manhã e tarde desta quarta-feira (27). O evento, que reuniu legisladores de diversos continentes, expôs o abismo que muitas vezes separa o discurso institucional, focado em grandes projetos, da urgência trazida por quem vivencia a crise climática no chão das periferias, sertões e territórios vulneráveis. 

O debate serviu de termômetro para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que será realizada em novembro, em Belém do Pará. No papel de anfitrião, o presidente da Casa, Carlo Caiado (PSD), buscou posicionar o Rio como exemplo de gestão e protagonista experiente no cenário global. O parlamentar falou sobre as propostas aprovadas pela Casa dentro do tema, incluindo a política para substituição da frota de ônibus por veículos elétricos até 2040 e a Lei da Cidade Esponja, que amplia áreas verdes e reduz riscos de enchentes. “Todas essas ações reforçam o compromisso do Legislativo carioca com o combate à crise climática e nos permitem estar presentes de maneira ativa em grandes discussões globais”, ressaltou

Em uma clara referência aos desafios de infraestrutura de Belém, que vai sediar a COP, Caiado ofereceu a expertise carioca, alfinetando o governador paraense. “A gente confia no sucesso da conferência, mas estamos à disposição para colaborar com a organização com o que for necessário”, disse o vereador, em referência sutil aos problemas que o estado sede da conferência tem sofrido, como nos serviços de hospedagem.

A dimensão internacional do debate foi reforçada pela presença de parlamentares como Barry Gardiner, do Reino Unido, e Dessima Williams, presidente do Senado de Granada, entre outros. A CEO da Globe Legislators, Malini Mehra, uma das organizadoras, lembrou o simbolismo da cidade carioca como sede do debate na esteira da conferência de novembro. “O Rio marca o nascimento dos legisladores globais. Antes do Rio Web Summit, por exemplo, não existia uma plataforma para reunir os legisladores mundiais nesse tema. É muito importante estarmos retornando”, explicou, dando o tom diplomático ao encontro.

Abrindo o debate ao lado de Caiado, a secretária de Meio Ambiente do Rio, Tainá de Paula (PT), falou sobre como a diplomacia climática deve se traduzir em política local. “O protocolo de enfrentamento às ondas de calor do Rio surge do nosso encontro anterior em outra COP. A gente retornou com tarefas e deveres de casa”, lembrando que os fóruns só têm valor quando geram ações concretas.

Crise tem endereço, apontam parlamentares

O tom institucional do evento deu uma balançada com falas sobre a urgência na ponta. Parte da última mesa — composta basicamente de psolistas — o deputado da Alerj Yuri Moura (Psol) foi taxativo ao afirmar que a crise climática tem classe e cor. “Dentro das cidades temos o recorte das periferias, das favelas e do racismo ambiental”, disse o coordenador da Frente Parlamentar de Prevenção às Tragédias do parlamento estadual, que defendeu um projeto para criar refúgios climáticos em áreas urbanas, inspirado em modelos de Barcelona. Petropolitano, o moço bateu na tecla dos problemas comuns na Região Serrana, como os deslizamentos.

No âmbito municipal, a batalha ideológica e prática foi detalhada pelo vereador William Siri (PSOL), engajado na pauta da crise climática. Siri explicou que a lei de sua autoria, que declarou emergência climática no Rio, teve um papel educativo crucial, abrindo caminho para outras legislações do tema, que até então não recebiam tanta atenção. “Tem uma galera negacionista na Casa, mas conseguimos fazer dar certo por meio da conversa com os parlamentares”, alfinetou os opositores. O edil falou ainda sobre outras normas em vigor aprovadas pela Casa, como a já citada lei da cidade esponja, que prevê um modelo de gestão de águas pluviais.

O fórum pintou um mosaico dos diversos Brasis climáticos. A deputada Divaneide Basílio (PT-RN) levou a voz da Caatinga e do semiárido ao plenário. “Sou filha de agricultores familiares e vim parar em Natal fugindo da seca. Na minha região, água é a nossa maior luta”, emocionou-se. Do estado mais rico do país, veio a crítica: o deputado de São Paulo Guilherme Cortez (Psol) acusou o governo paulista de inércia e classificou a privatização de recursos hídricos e parques como uma política anti ecológica. “A partir do momento que se privatiza o transporte público, nossos parques e a nossa água e saneamento, também se complica o controle dos recursos ambientais”, sublinhou.

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