Violência afasta clientes e leva ao fechamento de lojas em Vicente de Carvalho, Zona Norte do Rio

Comerciantes relatam extorsões, assaltos e queda nas vendas

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A crescente violência em Vicente de Carvalho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, tem afetado diretamente a rotina de lojistas e moradores. O aumento da criminalidade está provocando o fechamento de estabelecimentos comerciais e causando temor generalizado, inclusive em bairros vizinhos como Vila Kosmos, Tomás Coelho, Vaz Lobo e Irajá.

Dados do Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP-RJ) apontam que, de janeiro a maio de 2025, a área da 27ª DP (Vicente de Carvalho) registrou 1.474 roubos, número 16% maior do que no mesmo período do ano anterior. Já o número de estabelecimentos que fecharam após episódios de violência mais que dobrou: saltou de 9 em 2024 para 20 em 2025 — um aumento de 122%.

Tráfico impõe regras ao comércio
Além dos assaltos, comerciantes denunciam que traficantes estão cobrando taxas para permitir o funcionamento das lojas. “Inclusive estão proibindo o comércio de funcionar. Estão extorquindo e pedindo dinheiro”, afirmou um lojista da região.

O medo tomou conta das ruas. Em áreas mais internas, moradores instalaram câmeras e cancelas para tentar aumentar a segurança. Na Avenida Vicente de Carvalho, onde ficam estações do BRT, metrô e um shopping center, a presença policial é ostensiva, com viaturas e blindados circulando com frequência. Mesmo assim, os relatos de tiroteios a qualquer hora do dia são constantes. Em um dos casos, tiros atingiram o prédio de uma moradora horas antes de ela falar com a reportagem.

Fechamentos e desemprego
O impacto da violência vai além da insegurança: afeta diretamente a economia local. Uma pizzaria que funcionava há mais de 20 anos encerrou suas atividades recentemente. “Era ponto de encontro da comunidade, festinha de criança. Fechou. Fico triste. Desemprego. Cerca de 60 funcionários foram dispensados, poucos realocados. A maioria ficou sem trabalho”, contou uma ambulante que trabalhava nos arredores.

Outro comerciante relatou que investiu na montagem de uma nova loja, mas, após um assalto ao imóvel vizinho, desistiu de inaugurar. “As portas estão fechadas há mais de um ano. A maioria dos nossos gerentes já foi assaltada saindo da loja”, lamentou.

O que dizem as autoridades
A Polícia Civil informou que é fundamental que comerciantes façam os registros das ocorrências, o que permite mapear as áreas mais críticas e direcionar as investigações. A 27ª DP afirmou estar empenhada em identificar os responsáveis pelos crimes e os grupos envolvidos na cobrança de taxas ilegais.

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