Vídeos virais simulam agressões contra mulheres após rejeição; PGR é acionada

Trend nas redes sociais mostra homens encenando reações violentas após recusa de uma mulher; pedido de investigação é feito por deputado

Uma publicação viral nas redes sociais que mostra homens simulando agressões contra mulheres após serem rejeitados deverá ser investigada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A iniciativa parte de um requerimento apresentado pelo deputado Pedro Campos (PSB-PE), que será analisado nesta terça-feira (10) pela Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados.

O parlamentar pede que o Ministério Público avalie se os conteúdos configuram crime de apologia à violência de gênero e adote medidas para responsabilizar os autores das publicações.

Trend viral gera reação no Congresso

A polêmica envolve uma tendência que ganhou grande circulação nas redes sociais, especialmente no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março. Batizada de “caso ela diga não”, a trend incentiva homens a gravarem vídeos simulando como reagiriam se recebessem uma resposta negativa a um pedido de namoro ou casamento.

Em diversos vídeos que circularam na internet, os participantes encenam reações agressivas, ameaçadoras ou constrangedoras contra mulheres após a rejeição. Para o deputado Pedro Campos, esse tipo de conteúdo contribui para normalizar a violência contra mulheres no ambiente digital.

No requerimento apresentado à comissão, o parlamentar afirma que as gravações mostram “condutas agressivas, ameaçadoras, constrangedoras ou violentas”, criando um cenário que pode reforçar comportamentos violentos e banalizar a violência de gênero.

Pedido inclui dados das plataformas digitais

Além da abertura de investigação, o deputado solicita que as plataformas digitais responsáveis pela circulação dos vídeos sejam notificadas para fornecer informações detalhadas sobre o caso.

Entre os dados pedidos estão o alcance das publicações, a identificação dos responsáveis pelos conteúdos e quais medidas administrativas foram adotadas pelas empresas para conter ou remover os vídeos.

A expectativa é que o requerimento seja apreciado pela Comissão de Segurança Pública da Câmara em votação simbólica, com possibilidade de aprovação ainda nesta terça-feira.

Decisões recentes reforçam combate à violência de gênero

Nos últimos anos, o Judiciário brasileiro tem adotado medidas voltadas ao enfrentamento da violência contra mulheres e da disseminação de conteúdos que reforçam esse tipo de prática. O Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, tem consolidado decisões que buscam impedir práticas que reforcem a cultura de violência de gênero e a revitimização de mulheres em processos judiciais.

Desde 2025, decisões da Corte também determinam que redes sociais removam rapidamente determinados conteúdos considerados ilegais, incluindo publicações que façam apologia à violência.

Caso o requerimento seja aprovado, caberá à PGR avaliar os elementos apresentados e decidir se abrirá investigação sobre a origem e a disseminação dos vídeos que viralizaram nas plataformas digitais.

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