Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a deputada Renata Souza (Psol) registrou queixa na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), no Centro, por ataques que sofreu depois de denunciar uma plataforma de inteligência artificial por suposto “racismo de algorítmico”.
O episódio ocorreu há duas semanas, quando solicitou a um aplicativo que gerasse uma arte no estilo do estúdio de animação norte-americano, Pixar. A imagem de uma mulher negra, de cabelos afro, com roupas estampadas africanas num cenário de favela, deu lugar a uma ilustração, com a favela ao fundo, mas com a mulher com uma arma na mão.
A criação de personagens com os traços conhecidos do estúdio de animação se tornou uma trend porque está disponível, gratuitamente, no site da Microsoft.

Após a denúncia, a deputada, que hoje preside a CPI do Reconhecimento Fotográfico em Delegacias na Alerj, passou a sofrer uma série de ataques nas redes sociais sendo, inclusive, xingada de “macaca”. Na quinta-feira (09/11), ela usou o expediente final da sessão plenária para relembrar a história e confirmou que faria o registro policial.
“Em momento nenhum eu falei sobre armas. Em momento nenhum eu falei sobre violência. Eu falei sobre mulher negra em uma favela. O imaginário de violência nas favelas e de criminalização de corpos e territórios negros também está presente em tecnologias, o que coloca em risco a segurança de pessoas negras. É preciso rever essas tecnologias e procedimentos. A violência representada pelos ataques racistas contra mim em diversas redes exige rigorosa responsabilização dos autores”
Doutora em Comunicação e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), a deputada foi criada no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. Renata também é conhecida por ter sido amiga e chefe de gabinete de Marielle Franco, vereadora assassinada a tiros em 2018.
A Microsoft, que hospeda o robô inteligente dentro do site bing.com/create, chegou a divulgar uma nota dizendo que investiga o caso e que tomará medidas adequadas para ajustar o serviço. O “robô desenhista” foi criado pela mesma desenvolvedora do ChatGPT, a Open AI, parceira da Microsoft.






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