O deputado estadual Átila Nunes (PSD) registrou, na terça-feira (02), uma queixa na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) contra o pastor Tupirani da Hora Lores, da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo.
O parlamentar acusa o religioso de injúria racial, calúnia, difamação, ameaça e discurso de ódio religioso. Lores é figura conhecida por ataques a judeus, homossexuais e praticantes de religiões de matriz africana, acumulando condenações e investigações por racismo e intolerância religiosa ao longo dos últimos anos.
Na semana passada, durante um culto, o pastor criticou duramente o projeto de lei apresentado por Átila Nunes que declara o Dia de Oxalá como Patrimônio Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o religioso associou Exu ao demônio, ridicularizou práticas de matriz africana, classificando-as como macumba de cemitério, e disparou ofensas pessoais contra o deputado. Em meio a palavrões, afirmou:
“Átila Nunes, deixa de ser bacaba, rapaz! Tua família já está sendo destruída dia após dia. Para com essa babaquice de defender demônio. Tenha dignidade, honra e vergonha na cara”, disse.
Em seguida, prosseguiu: “Para com essas leis de merdas que você faz. Botando o demônio como patrimônio imaterial. Patrimônio imaterial é o cacete.” Assista:
O parlamentar lamentou o episódio e reforçou que casos de intolerância religiosa devem ser enfrentados de forma institucional. Segundo ele, mais um vídeo cheio de ódio e ataques contra mim e contra o povo de Axé.
“Eu vim à Decradi registrar o boletim de ocorrência — porque intolerância religiosa é crime, e crime se enfrenta com a lei”, argumentou.
O deputado também recomendou que vítimas desse tipo de violência procurem a delegacia para exigir seus direitos. “Fanático nenhum vai intimidar quem luta com coragem e com respeito”, declarou.
Histórico de condenações e operações da PF
A trajetória de Tupirani da Hora Lores acumula passagens pela Justiça e sucessivas investigações. Em 2007, ele foi condenado pela Justiça Federal por práticas de racismo, intolerância religiosa e incitação ao ódio, em ação movida pela Confederação Israelita do Brasil e pela Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro. A sentença o colocou entre os primeiros líderes religiosos no país responsabilizados criminalmente por fomentar discursos de ódio.
Ele voltou a ser preso em 2009 pelo mesmo tipo de delito. Três anos depois, em 2012, foi novamente detido ao lado de membros de sua igreja por comportamentos homofóbicos, xenófobos e racistas.
Em 2021, tornou-se alvo da operação Shalom, da Polícia Federal, após defender um massacre de judeus durante um culto. Na ocasião, disse que judeus deveriam ser envergonhados como foram na 2ª Guerra Mundial.
Prisão mais recente e atuação investigada
Em 2022, Tupirani foi preso durante a operação Rófesh, da Polícia Federal, deflagrada para deter líderes de um grupo radical que promovia ataques ao povo judeu. A ação ocorreu no bairro do Santo Cristo, zona portuária do Rio, onde o pastor foi encontrado vestindo uma camisa com a frase não sou vacinado.
Segundo a PF, ele produziu e disseminou diversos vídeos ofensivos contra judeus e adeptos de outras religiões, além de propagar mensagens racistas e campanhas contra vacinas e contra o exercício do voto. Ele responderá por racismo, ameaça, incitação e apologia ao crime.
A Agenda do Poder tentou contato com o religioso, mas ainda não foi localizado. O espaço permanece aberto para sua manifestação.






Deixe um comentário