O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um pronunciamento em rede nacional na noite desta quarta-feira (24), véspera de Natal, em que apresentou um balanço do ano, destacou indicadores econômicos e sociais e voltou a defender o fim da escala de trabalho 6×1 — seis dias de trabalho e um de descanso —, sem redução de salários.
No discurso, Lula elencou resultados econômicos e sociais, reforçou agendas centrais do governo e abordou temas como segurança pública, política externa e relações de trabalho, com o olhar voltado para o debate que deve ganhar corpo ao longo de 2026.
Defesa da redução da jornada
O presidente dedicou parte do pronunciamento à defesa da redução da jornada de trabalho, afirmando que o modelo 6×1 impõe uma rotina exaustiva e que o debate sobre mudanças na carga horária precisa avançar no Congresso Nacional.
“Nenhum direito é tão urgente, hoje, quanto o direito ao tempo. Não é justo que uma pessoa seja obrigada a trabalhar duro durante seis dias e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a cabeça, passear com a família, cuidar da casa, se divertir e acompanhar de perto o crescimento dos filhos. O fim da escala 6×1, sem redução de salário, é uma demanda do povo que cabe a nós, representantes do povo, escutar e transformar em realidade”, declarou.
O presidente disse que o tema deve seguir em discussão ao longo de 2026, quando o Congresso deve analisar propostas de redução da carga horária semanal — encabeçadas principalmente pela deputada Erika Hilton (PSOL).
Economia e políticas sociais
No balanço apresentado, Lula citou a saída do Brasil do Mapa da Fome, a retomada do Bolsa Família, a valorização do salário mínimo e ações voltadas à geração de empregos e à alimentação escolar. “Retomamos o Bolsa Família, apoiamos a agricultura familiar, valorizamos o salário mínimo, investimos muito na geração de empregos e na alimentação nas escolas”, afirmou.
O presidente também mencionou a promessa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. “A partir de janeiro, milhões de famílias terão um dinheiro extra todos os meses. Isso vai aliviar as contas, aquecer ainda mais a economia e beneficiar o país inteiro”, disse.
Segundo Lula, o país encerra o ano com queda no desemprego, aumento da renda média e inflação sob controle — indicadores usados pelo governo para sustentar a narrativa de recuperação econômica.
Programas e obras
Durante o pronunciamento, Lula listou programas e iniciativas nas áreas de saúde, educação, assistência social e habitação, como o Agora Tem Especialistas, o Pé-de-Meia, o Gás do Povo, o Luz do Povo, o Minha Casa Minha Vida e o Reforma Casa Brasil.
As obras de infraestrutura do Novo PAC e a transposição do Rio São Francisco também foram citadas como vetores de desenvolvimento, geração de empregos e segurança hídrica.
Política externa, tarifaço e segurança pública
No campo internacional, o presidente afirmou que o governo conseguiu mitigar os efeitos das taxações impostas pelos Estados Unidos no primeiro semestre. Durante o pronunciamento, o vídeo exibiu uma imagem de Lula ao lado do presidente estadunidense Donald Trump, apertando as mãos, alinhado ao discurso de diálogo adotado pelo governo brasileiro após o chamado tarifaço.
Segundo Lula, a estratégia passou pela atuação diplomática e pela diversificação de mercados para produtos brasileiros. “Mostramos ao Brasil e ao mundo que somos do diálogo, da fraternidade e não fugimos da luta. Apostamos na diplomacia, protegemos nossas empresas, evitamos demissões e ultrapassamos a marca de 500 novos mercados abertos aos nossos produtos”, afirmou.
O presidente também abordou a segurança pública, afirmando que a Polícia Federal realizou, em 2025, a maior operação já feita contra o crime organizado e prometeu liderar um esforço nacional de combate à violência contra a mulher.
O pronunciamento foi encerrado com uma mensagem de Natal e Ano Novo, em tom otimista, dirigida às famílias brasileiras.






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