Boulos articula assembleias em fábricas e no comércio para defender fim da escala 6×1

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência mobiliza trabalhadores enquanto proposta é tratada por Lula como prioridade política para 2026

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), iniciou uma agenda de mobilização nacional em defesa do fim da escala 6×1, modelo de jornada em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um. A proposta, que ainda depende de aprovação no Congresso Nacional, foi definida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como prioridade para 2026 e deve integrar o discurso político do governo no próximo ciclo eleitoral.

Segundo informa a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a estratégia envolve duas frentes principais: articulação institucional no Parlamento e mobilização direta da base trabalhadora. Enquanto a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), concentra esforços nas negociações com líderes partidários e bancadas no Congresso, Boulos assumiu a tarefa de dialogar com categorias profissionais e estimular apoio popular à mudança na legislação.

Mobilização nos estados

A Secretaria-Geral da Presidência planeja organizar assembleias de trabalhadores em todos os estados do país. O objetivo é debater os impactos da escala 6×1, apresentar argumentos favoráveis à transição para o modelo 5×2 e pressionar parlamentares a apoiar a proposta.

Boulos já participou, na segunda-feira (9), de uma assembleia na metalúrgica Delga, em Diadema, no ABC paulista. A próxima agenda prevê reunião com comerciários da região metropolitana de São Paulo. Segundo o ministro, após esses encontros iniciais, ele pretende percorrer diferentes regiões do país para ampliar a mobilização.

A estratégia inclui visitas a empresas que já adotam a jornada 5×2, com dois dias de descanso semanal. De acordo com Boulos, a intenção é demonstrar que a mudança é viável do ponto de vista econômico e organizacional.

Proposta como bandeira eleitoral

A defesa do fim da escala 6×1 ganhou peso político dentro do governo. Lula pretende transformar o tema em uma de suas principais bandeiras para 2026, associando a proposta à melhoria das condições de trabalho e à valorização da qualidade de vida do trabalhador.

O Executivo enfrenta resistência de setores empresariais que argumentam que a mudança pode elevar custos e impactar a produtividade, especialmente em segmentos que operam com escalas contínuas. A articulação do governo busca contornar essas críticas por meio de diálogo e construção de apoio social.

Pressão social e tramitação no Congresso

No Congresso, o avanço da proposta dependerá da formação de maioria nas duas Casas. A atuação da Casa Civil se concentra na construção de consensos e na negociação de possíveis ajustes no texto para reduzir resistências.

Paralelamente, a mobilização promovida pela Secretaria-Geral busca criar pressão social capaz de influenciar o debate legislativo. A avaliação dentro do governo é que o engajamento de categorias organizadas pode ser decisivo para acelerar a tramitação.

Com a intensificação das agendas públicas e reuniões com trabalhadores, o tema tende a ganhar espaço no debate nacional nos próximos meses, colocando em evidência o embate entre reivindicações trabalhistas e preocupações econômicas.

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