A Marinha do Brasil incorporou oficialmente, nesta sexta-feira (24), a primeira fragata da classe Tamandaré à sua esquadra, marcando um novo capítulo na modernização da defesa naval do país. Ao mesmo tempo, foi firmado um memorando de entendimento com a empresa alemã ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS) para a possível construção de mais quatro embarcações.
O investimento total ainda será definido, mas a expectativa é de que o novo lote ultrapasse os R$ 10 bilhões. Com isso, o número de fragatas da classe Tamandaré poderá chegar a oito unidades.
Fortalecimento Da Defesa Naval Brasileira
A chegada da fragata Tamandaré representa um avanço estratégico para a proteção da chamada Amazônia Azul — área marítima brasileira com cerca de 5,7 milhões de km². Segundo a Marinha, a embarcação foi projetada para atuar no monitoramento, defesa de infraestruturas críticas e proteção das rotas comerciais marítimas.
A nova fragata é a primeira construída no Brasil em mais de quatro décadas. A última havia sido a União, da classe Niterói, entregue em 1980.
O projeto também reforça a cooperação internacional. O acordo entre Brasil e Alemanha foi formalizado durante encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o premiê alemão Friedrich Merz, além de autoridades da área de defesa.
Parceria Industrial E Geração De Empregos
A construção das fragatas ocorre em estaleiro em Itajaí (SC), em parceria com o grupo Embraer, que detém participação no consórcio. O programa já gerou cerca de 2 mil empregos diretos e 6 mil indiretos, envolvendo aproximadamente mil fornecedores no Brasil.
O conteúdo local do projeto alcançou R$ 4,8 bilhões, equivalente a cerca de 40% do custo total das quatro primeiras embarcações.
Um dos destaques tecnológicos é o sistema de gerenciamento de combate, desenvolvido em conjunto pela Atech (ligada à Embraer) e a empresa alemã Atlas Elektronic. Esse sistema integra sensores e armamentos, permitindo identificar ameaças e definir respostas em tempo real.
Capacidade Militar E Tecnologia De Ponta
Com 107 metros de comprimento e deslocamento de 3,5 mil toneladas, a fragata Tamandaré possui autonomia de até 5,5 mil milhas náuticas (cerca de 10 mil km) e velocidade máxima de 25 nós (aproximadamente 47 km/h).
A embarcação pode operar helicópteros e drones de pouso vertical, além de atuar em ambientes de superfície, aéreo e submarino.
Entre seus armamentos estão:
- Mísseis antinavio Mansup e Exocet
- Sistema antiaéreo CAMM (Sea Ceptor)
- Canhões de 76 mm e 30 mm
- Lançadores de torpedos
- Metralhadoras pesadas
Esses sistemas permitem detectar até mil alvos simultaneamente, ampliando significativamente a capacidade operacional da Marinha.
Expansão Da Frota E Estratégia De Defesa
Atualmente, quatro fragatas estão previstas no primeiro lote do programa. A segunda embarcação já está em testes, a terceira deve ser concluída ainda em 2026 e a quarta tem entrega prevista até 2029.
Com o novo acordo, a expectativa é dobrar a frota e consolidar o Brasil como referência regional em tecnologia naval.
A expansão do programa também está alinhada ao fortalecimento da autonomia estratégica do país, especialmente em um cenário global de mudanças nas alianças internacionais e maior busca por independência na área de defesa.





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