O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou novos contornos em Brasília após o governo federal admitir, nos bastidores, que a mudança não deverá acontecer de forma imediata. A articulação conduzida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, junto a integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aponta para uma transição gradual de até três anos para redução da jornada de trabalho.
A proposta em discussão prevê que a primeira hora da jornada semanal seja reduzida nos primeiros 90 dias após aprovação da medida. As horas restantes seriam cortadas gradualmente até 2029, em um modelo escalonado de uma hora por ano.
O tema virou uma das principais pautas políticas do governo e deve ganhar ainda mais destaque nos próximos meses, principalmente pela intenção do Palácio do Planalto de transformar o fim da escala 6×1 em uma bandeira eleitoral para 2026.
Relatório adiado
O relatório que seria apresentado nesta quarta-feira (20) acabou adiado para a próxima segunda-feira (25) por falta de consenso entre governo, parlamentares e representantes do setor empresarial.
Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que as primeiras negociações caminhavam para uma transição ainda mais longa, de quatro anos. A resistência de empresários, preocupados com os impactos econômicos e operacionais da mudança, pressionou por um prazo maior de adaptação.
Já o governo vinha defendendo inicialmente uma implementação mais rápida, argumentando que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores sem comprometer a produtividade.
Divisão dentro do PT
Apesar da construção de um acordo mais gradual, uma ala do PT tenta reduzir o período de transição para apenas dois anos. O grupo defende que a mudança precisa ser percebida rapidamente pelos trabalhadores.
A avaliação desses parlamentares é que reduzir apenas uma hora inicialmente teria pouco impacto prático para quem trabalha na escala 6×1. Por isso, defendem que duas horas da jornada já sejam reduzidas ainda em 2026.
O assunto foi discutido em reuniões entre Hugo Motta, o relator da proposta, Léo Prates, e ministros do governo federal.
Boulos pressiona por rapidez
Dentro do governo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, chegou a defender publicamente uma aplicação quase imediata da nova regra.
Segundo Boulos, muitas empresas teriam condições de se adaptar em poucos meses ao novo modelo de jornada. A posição, no entanto, enfrenta resistência de setores empresariais e de parlamentares ligados ao centro político.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 também mobiliza sindicatos, centrais trabalhistas e entidades empresariais, que acompanham as negociações em Brasília e pressionam por mudanças no texto final.
Tema deve dominar debate político
O governo avalia que a pauta possui forte apelo popular e pode se transformar em um dos principais temas da disputa política nacional nos próximos anos. A proposta busca alterar um dos formatos mais comuns do mercado de trabalho brasileiro, em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e descansa apenas um.
Embora ainda não exista um acordo fechado, líderes governistas acreditam que a tendência é de aprovação de um modelo de transição negociada, capaz de equilibrar a pressão social por jornadas menores e a preocupação das empresas com os custos da adaptação.






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