Vídeo: Astronautas votam no espaço: veja como a cédula chega à Terra

Cédulas eletrônicas criptografadas passam por satélites da Nasa antes de chegar às autoridades eleitorais nos Estados Unidos

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A cabine eleitoral pode até flutuar, mas o destino do voto continua na Terra. A cerca de 400 quilômetros da superfície, astronautas americanos a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) conseguem participar das eleições dos Estados Unidos com cédulas eletrônicas e uma estrutura de comunicação da Nasa.

O procedimento permite que tripulantes em missão exerçam o direito ao voto mesmo longe de seus domicílios eleitorais. Nesta terça-feira (3), quando os americanos participam das eleições de meio de mandato, a votação em órbita também chamou atenção nas redes sociais.

Um dos participantes foi Anil Menon, que publicou um vídeo mostrando o compartimento da estação utilizado para preencher a cédula. O ambiente ganhou uma função adicional durante a missão: servir como cabine eleitoral.

“Tive o privilégio de poder votar aqui também, assim como vocês aí na Terra”, afirmou o astronauta.

Preparação antes da missão

O caminho até a votação começa ainda em solo. Os astronautas precisam preencher o Federal Post Card Application, formulário utilizado por americanos que solicitam o voto à distância.

Após a autorização, o eleitor pode preencher uma cédula eletrônica na estação espacial. Segundo a revista Time, Menon registrou o voto em um computador e o enviou eletronicamente ao Condado de Harris, no Texas.

É nessa região que fica o Centro Espacial Lyndon B. Johnson, da Nasa. Outros dois americanos da tripulação, Jessica Watkins e Luke Delaney, também tiveram a oportunidade de votar, de acordo com a publicação.

O caminho até a Terra

Depois de preenchida, a cédula é transmitida pelo Sistema de Satélites de Rastreamento e Retransmissão de Dados, conhecido pela sigla TDRSS, da Nasa.

O arquivo segue até uma antena em solo, instalada em uma unidade de testes da agência. Em seguida, chega ao Centro de Controle de Missão, em Houston, no Texas.

A partir dali, o documento é encaminhado às autoridades eleitorais do condado responsável pelo registro do astronauta. Assim, a estrutura de comunicação espacial conecta o eleitor em órbita ao órgão que recebe seu voto.

Para preservar o sigilo, a cédula é criptografada. O acesso fica restrito ao próprio eleitor e ao funcionário eleitoral autorizado.

Uma prática desde 1997

A votação espacial tem quase três décadas de história. Em 1997, a Assembleia Legislativa do Texas aprovou uma lei que permitiu aos astronautas da Nasa participar das eleições durante missões fora da Terra.

O primeiro americano reconhecido por utilizar essa possibilidade foi David Wolf, quando estava na estação espacial russa Mir.

Em entrevista à revista The Atlantic, em 2016, Wolf contou que era o único falante de inglês na estação naquele período. Segundo seu relato, receber uma cédula no próprio idioma e participar da eleição ajudou a diminuir a sensação de isolamento e a reforçar sua conexão com a Terra.

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