Eleito para exercer o primeiro mandato sob comoção social, o vereador Leniel Borel (PP) garante que não vai deixar passar o que ele considera erros nos dois polêmicos projetos referentes à criação das Forças de Seguranças Municipal e da Armada, esta última para armar parte da Guarda Municipal do Rio, ambos enviados à Câmara da cidade pelo Executivo.
Um dos itens que soa inadmissível para Borel – vereador que perdeu o filho Henry, morto pela brutalidade do então padrasto Dr. Jairinho em 2021 – é sobre a proteção de vulneráveis, que teria sido esquecida no projeto da Casa Civil do Rio. A conversa aconteceu, na última semana, em exclusividade para o Agenda do Poder.
“Tem Praça, Praia e até ‘Calçada Segura’, mas nada das patrulhas que contemplam crianças, idosos e mulheres vítimas da violência. Parece que o foco será evento e entretenimento, entretanto, quem dá amparo aos agredidos é justamente a nossa GM. Foi esquecida até a Maria da Penha (nome da patrulha contra violência doméstica”, lembra Borel, sobre o fato da Guarda Municipal dar suporte a uma mulher, por exemplo, que precisa voltar ao antigo lar após a agressão, para buscar pertences básicos, como documentos, e até ‘resgatar’ os filhos.
Graças a Borel, há dois anos, o Rio já conta com medida protetiva também para crianças, que funciona bem similar ao das mulheres, prevendo distância. Atualmente, ele é vice-presidente da Comissão de Criança e Adolescente do Legislativo Municipal.
“A Guarda que vai entrar nessas casas. Criei a Ronda de Proteção da Criança, já existe a Ronda Escolar. E cadê essas pessoas neste projeto do prefeito? Quem fez isso está tratando o Rio como um espaço somente, sem pensar no cidadão”, alfineta o pai de Henry e da bebê Valentina, nascida ano passado, mesmo da consagração por mais de 34 mil votos nas urnas.
Na primeira audiência pública sobre o tema, promovida neste mês pela Comissão de Segurança Pública, Leniel Borel foi o primeiro a se colocar no lugar do futuro contratado, que carecerá de direitos.
Depois de assumir a cadeira, que um dia foi do algoz do seu pequeno Henry, o vereador conta que ainda tem outra preocupação grave no projeto de Lei e avisa que, por mais que seja base, não será responsável por mortes da Força Municipal de Paes. Sobre isso, o parlamentar explica sua visão:
“Eu não quero ter sangue nas mãos por aceitar um projeto que não prevê uma assistência social ao agente temporário. Tomou tiro, fica a cargo do INSS. Se morrer, também. Além da covardia com o próprio servidor, que pode ser confundido com guarda armado, mesmo sem acesso à arma. Bandido vai atirar em qualquer um deles antes de mais nada!”, acredita ele.
A ideia de Paes é formar 600 agentes, a cada seis meses, até formar o efetivo de 4,2 mil até 2025. A seleção não seria por concurso público, o que causou repulsa até de parlamentares do partido de Paes, e, claro, de Borel, já que o salário de R$ 13 mil, fica em um patamar bem distante dos R$ 3 mil do salário atual da GM-Rio, que faria, praticamente, o mesmo trabalho. Mesmo com cachê supostamente alto, Borel alerta que não cobrirá prejuízos do funcionário contemplado, por falta de jurídico no projeto do Executivo.
“O valor de R$ 13 mil não paga o advogado, se este cara der um tiro errado. São duas Corregedorias e duas Ouvidorias, mas não há jurídico previsto. Só o que pode punir o agente”, finaliza ele, que tem, como exemplo, a GM-SP.





