Após embate com Zema, Gilmar Mendes defende continuidade do inquérito das fake news

Ministro do STF sustenta manutenção das investigações em meio a críticas e tensão política

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes voltou a se posicionar a favor da continuidade do inquérito das fake news, em meio ao aumento das críticas por parte de parlamentares da oposição. A investigação, aberta em 2019, tem como objetivo apurar ataques à Corte e a seus integrantes, e segue sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Durante entrevista, Gilmar afirmou que o procedimento ainda é necessário diante do que classificou como ataques ao Supremo e indicou que sua continuidade deve ser mantida, ao menos, até o período eleitoral.

Defesa da continuidade

Ao comentar o andamento do inquérito, o ministro destacou que a investigação não perdeu sua relevância e que seu encerramento deve ocorrer apenas quando concluída. Ele afirmou que o tribunal tem sido alvo de críticas e ataques, o que justificaria a manutenção das apurações.

“Eu tenho a impressão de que o inquérito continua necessário. E ele vai acabar quando terminar, é preciso que isso seja dito em alto e bom som. O tribunal tem sido vilipendiado, veja por exemplo a coragem, eu diria a covardia, do relator da CPI do Crime Organizado de atacar a Corte, pedir indiciamento de pessoas, não cuidando de quem efetivamente cometeu crimes. Isto pode ser deixado assim? Acho que não, é preciso que haja resposta”, declarou.

A fala ocorre em um momento de questionamentos sobre a duração e o alcance do inquérito, que já se estende por cerca de sete anos.

Reações e tensão política

A posição de Gilmar Mendes gerou reação entre parlamentares da oposição, que passaram a articular um novo pedido de impeachment contra o ministro. As críticas ganharam força após ele solicitar a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema como alvo da investigação.

Além disso, o ministro encaminhou à Procuradoria-Geral da República um pedido de investigação contra o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, por suposto abuso de autoridade. A medida foi tomada após a divulgação de uma minuta de relatório da comissão que sugeria o indiciamento de integrantes do Supremo e do próprio chefe da PGR, no contexto de apurações relacionadas ao caso Banco Master. O documento, no entanto, foi rejeitado pela CPI.

Caso Zema amplia debate

A inclusão de Romeu Zema no inquérito das fake news ocorreu após a divulgação de um vídeo em que o ex-governador critica decisões do Supremo. O material levou Gilmar Mendes a solicitar investigação, argumentando que o conteúdo atinge a honra da Corte e de seus membros.

Zema reagiu à medida, classificando-a como absurda, e voltou a publicar o vídeo. Parlamentares da oposição também criticaram a decisão, defendendo que manifestações políticas não deveriam ser alvo de investigação.

Em nota, o líder da oposição na Câmara, deputado Gilberto Silva, afirmou que a medida representa um precedente preocupante. “O que está em jogo aqui não é um caso isolado. É um precedente grave. Um ex-chefe do Poder Executivo estadual passa a ser alvo de investigação por expressar opinião política. A crítica institucional, elemento essencial da democracia, passa a ser tratada como infração”, disse.

Discussão institucional

O debate sobre o inquérito também envolve questionamentos de entidades jurídicas. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil já manifestou preocupação com a duração das investigações e solicitou providências para sua conclusão.

Apesar das críticas, Gilmar Mendes tem reiterado a importância histórica do procedimento, destacando seu papel na apuração de ataques ao Judiciário. A continuidade do inquérito e seus desdobramentos seguem no centro das discussões institucionais, em um cenário de crescente tensão entre Poderes e atores políticos.

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