Gilmar Mendes diz que crise do Banco Master está na Faria Lima e não no STF

Decano do STF declarou que investigações sobre relações entre ministros e Daniel Vorcaro devem continuar. Mendes também defendeu manutenção do inquérito das fake news diante da polarização eleitoral

O ministro Gilmar Mendes afirmou que a crise envolvendo o Banco Master não pode ser atribuída ao Supremo Tribunal Federal e declarou que o problema estaria ligado ao mercado financeiro e à fiscalização de órgãos reguladores. A declaração foi dada em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada no sábado (23).

Segundo o decano do STF, houve uma tentativa de transferir para a Corte uma crise que, na visão dele, seria sistêmica e ligada à atuação de instituições financeiras e órgãos de controle.

“A crise do Master não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima”, afirmou Gilmar Mendes durante a entrevista.

O ministro também declarou que não pretende isentar possíveis responsáveis, mas reforçou que o foco do problema não deveria recair exclusivamente sobre o Supremo.

“Não quero isentar de responsabilidade quem tem, mas me parece que você coloca o tribunal num corredor polonês”, disse.

Crise do Banco Master

O caso do Banco Master ganhou repercussão após revelações sobre ligações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Durante a entrevista, Gilmar Mendes afirmou que as relações envolvendo ministros da Corte e Vorcaro estão sendo investigadas pelas autoridades competentes.

“Isso certamente está sendo investigado e as autoridades competentes devem fazê-lo, estão fazendo”, declarou o magistrado.

O ministro ainda apontou supostas falhas da Comissão de Valores Mobiliários e do Banco Central do Brasil na fiscalização do sistema financeiro.

Críticas ao código de ética

Na conversa com a Folha de S.Paulo, Gilmar também comentou as discussões internas no STF sobre a criação de um código de ética para ministros da Corte, tema defendido pelo presidente do tribunal, Edson Fachin.

Segundo o decano, a proposta acabou gerando desconforto interno por ter surgido em um momento de fragilidade para alguns integrantes do tribunal.

“O código de ética gerou um ambiente de certa desinteligência”, afirmou.

Defesa do inquérito das fake news

Outro tema abordado por Gilmar Mendes foi o inquérito das fake news, atualmente conduzido pelo STF. O ministro defendeu a continuidade das investigações diante do cenário político e eleitoral de 2026.

Para ele, o ambiente de radicalização política ainda exige atenção das autoridades judiciais.

“Mantido o ambiente de radicalismo, e tudo indica que vai ser mantido, dado o acirramento eleitoral, o inquérito das fake news é necessário”, disse o ministro.

Jorge Messias e articulação política

Gilmar Mendes também comentou a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF. Segundo ele, o episódio teve motivação política e revelou dificuldades do governo federal na articulação com o Congresso Nacional.

Na avaliação do ministro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades por atuar sem maioria consolidada no Parlamento.

O magistrado ainda afirmou que houve falhas na articulação política do Palácio do Planalto durante o processo.

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