Venezuela acusa EUA de ‘pirataria internacional’ após apreensão de petroleiro e ameaça recorrer à ONU

Governo Maduro diz que nova interceptação em águas internacionais não ficará impune e fala em “sequestro” de navio e tripulação; EUA alegam combate ao petróleo sob sanções

A Venezuela condenou a apreensão de um segundo petroleiro por forças dos Estados Unidos próximo à costa do país neste sábado (20) e classificou a ação como um “grave ato de pirataria internacional”. Em comunicado oficial, o governo de Nicolás Maduro afirmou que vai recorrer ao Conselho de Segurança da ONU e a outros fóruns multilaterais para denunciar Washington.

“A República Bolivariana da Venezuela denuncia e rejeita categoricamente o roubo e sequestro de um novo navio privado que transportava petróleo venezuelano, bem como o desaparecimento forçado de sua tripulação, cometidos por militares dos Estados Unidos da América em águas internacionais”, começa o texto divulgado pelo governo. O comunicado termina com a advertência: “Esses atos não ficarão impunes”.

Segunda interceptação em menos de 10 dias

A apreensão ocorreu no fim da madrugada deste sábado e foi confirmada pelo governo americano. A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, divulgou um vídeo da operação e afirmou que a ação faz parte do combate à movimentação de petróleo sob sanções internacionais.

“Os Estados Unidos continuarão a combater a movimentação ilícita de petróleo sob sanções, usada para financiar o narcoterrorismo na região”, escreveu Noem nas redes sociais.

Essa foi a segunda interceptação de um petroleiro ligado à Venezuela em dez dias. Após a primeira apreensão, no último dia 10, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um bloqueio total a navios que transportem petróleo venezuelano. Na ocasião, Maduro classificou a medida como uma “interferência brutal” de Washington.

A escalada de pressão também provocou reação de aliados de Caracas. Um dia após a primeira apreensão, a Rússia afirmou que o aumento das tensões envolvendo a Venezuela poderia ter “consequências imprevisíveis para o Ocidente”.

As ações dos EUA fazem parte do endurecimento das sanções contra o setor energético venezuelano, principal fonte de receita do governo chavista. Desde 2019, com as restrições impostas por Washington, o país passou a escoar parte de sua produção por meio de uma chamada “frota fantasma” de navios-tanque, muitos deles já sancionados por transportar petróleo do Irã e da Rússia.

Apesar do impacto direto sobre Caracas, a análise é que o mercado internacional segue, por ora, bem abastecido. Ainda assim, a retirada prolongada de até um milhão de barris por dia da oferta global pode pressionar os preços do petróleo, caso o bloqueio seja mantido.

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