EUA apreendem segundo petroleiro próximo à Venezuela e ampliam pressão contra Maduro

Nova interceptação em águas internacionais ocorre 10 dias após primeira apreensão e reforça cerco ao petróleo venezuelano, principal fonte de receita do regime chavista

As forças dos Estados Unidos interceptaram e apreenderam neste sábado (20) um segundo navio petroleiro que havia saído da Venezuela e navegava em águas internacionais do Caribe, ampliando a pressão do governo Donald Trump sobre o regime de Nicolás Maduro. A ação ocorre 10 dias após a primeira apreensão do tipo e faz parte do endurecimento das sanções ao setor energético venezuelano.

A operação foi confirmada pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA. Segundo a secretária da pasta, Kristi Noem, o navio havia estado atracado recentemente em um porto venezuelano e foi abordado antes do amanhecer por agentes da Guarda Costeira, com apoio do Pentágono.

“Os Estados Unidos continuarão a combater a movimentação ilícita de petróleo sob sanções, usada para financiar o narcoterrorismo na região”, afirmou Noem em publicação nas redes sociais.

De acordo com informações divulgadas por autoridades americanas sob condição de anonimato, a interceptação ocorreu de forma consensual, com o petroleiro interrompendo a navegação e permitindo o embarque das forças norte-americanas. O navio apreendido tem bandeira do Panamá, segundo o jornal The New York Times. O governo venezuelano ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio.

Escalada de pressão sobre Caracas

A nova apreensão reforça o cerco anunciado por Trump após a primeira interceptação, realizada no último dia 10. Na ocasião, o presidente americano afirmou que Washington intensificaria o cerco às exportações de petróleo da Venezuela, medida classificada por Nicolás Maduro como uma “interferência brutal” dos Estados Unidos.

Desde então, dados do mercado indicam uma queda significativa nas exportações venezuelanas. Petroleiros sancionados passaram a evitar portos do país, e Caracas enfrenta dificuldades para escoar e armazenar a produção, segundo reportagens da imprensa internacional.

O petróleo é o principal pilar da economia venezuelana e fonte central de financiamento do governo chavista. O país detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, mas grande parte do produto é extra-pesado, exigindo tecnologia avançada para refino — especialmente disponível em refinarias da costa do Golfo dos EUA.

Impacto no mercado e risco de alta nos preços

Apesar do impacto imediato sobre a Venezuela, a análise é de que o mercado global segue, por ora, bem abastecido, com milhões de barris armazenados em navios-tanque próximos à costa da China. Ainda assim, se a interceptação se prolongar, a retirada de até um milhão de barris por dia da oferta global pode pressionar os preços do petróleo.

A China é atualmente a maior compradora do petróleo venezuelano, responsável por cerca de 4% das importações do país asiático. Em dezembro, os embarques venezuelanos vinham registrando média superior a 600 mil barris diários.

Desde a imposição das sanções americanas em 2019, o comércio do petróleo venezuelano passou a depender de uma chamada “frota fantasma”, formada por navios que ocultam sua localização ou já foram sancionados por transportar petróleo do Irã e da Rússia.

Contexto geopolítico

A interceptação ocorre no mesmo período em que Trump autorizou operações militares contra embarcações que, segundo seu governo, estariam envolvidas no tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico. Desde setembro, ao menos 28 ataques foram registrados, com mais de 100 mortos, segundo dados citados pela imprensa americana.

Em entrevista recente, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, afirmou que Trump pretende manter a ofensiva até forçar uma reação do governo venezuelano.

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