O corpo da publicitária Juliana Marins, que morreu em circunstâncias ainda nebulosas durante uma trilha em um parque na Indonésia, será velado nesta sexta-feira (5), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
O velório ocorrerá das 10h às 12h, com entrada aberta ao público. Após esse horário, a cerimônia será reservada apenas aos familiares e amigos mais próximos, com encerramento previsto para as 15h. Juliana morreu em maio deste ano durante uma caminhada em uma área de difícil acesso, e o caso gerou repercussão devido às dúvidas sobre o socorro prestado e à falta de transparência das autoridades indonésias.
“Uma coisa que a gente temia era que Juliana ficasse desaparecida. Então, apesar de o resgate não ter acontecido no tempo hábil para a Juliana sair com vida, pelo menos a gente está com Juliana de volta no Brasil”, disse Mariana Marins, irmã da publicitária. “É muito bom realmente a gente saber que Juliana está aqui com a gente, pra gente conseguir dar esse adeus digno para ela.”
O corpo de Juliana passou por nova análise no Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Centro do Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira (2). A necropsia, iniciada às 8h30, durou cerca de duas horas e meia e contou com a presença de dois peritos da Polícia Civil, de um perito federal, de um representante da família e do médico legista Nelson Massini, contratado pelos parentes para acompanhar o procedimento.
A família aguarda agora a conclusão do laudo oficial, cuja análise preliminar pode levar até sete dias. A expectativa é de que os exames revelem informações essenciais para esclarecer dúvidas que persistem desde a morte da brasileira, especialmente sobre o tempo de sobrevida de Juliana após a queda e possíveis falhas no socorro prestado.
Segundo a Defensoria Pública da União (DPU), a certidão de óbito emitida pela Embaixada do Brasil em Jacarta foi baseada na autópsia realizada pelas autoridades indonésias, mas não apresenta informações conclusivas sobre o horário da morte. Em petição enviada à Polícia Federal, a defensora pública Taísa Bittencourt enfatizou que o esclarecimento desse ponto é crucial para avaliar se houve omissão por parte das autoridades locais.
Família quer confirmação de data e horário da morte
“A família necessita de confirmação da data e horário da morte, a fim de apurar se houve omissão na prestação de socorro pelas autoridades indonésias”, destacou Taísa.
Durante a coletiva de imprensa dada após a primeira autópsia em Bali, o médico responsável afirmou que Juliana teria sobrevivido por menos de 20 minutos após o acidente, devido à gravidade dos ferimentos — múltiplas fraturas e lesões em órgãos internos. A forma como esse laudo foi divulgado gerou revolta na família.
“Minha família foi chamada no hospital para receber o laudo, mas, antes que eles tivessem acesso a ele, o médico achou de bom tom dar uma coletiva de imprensa para falar para todo mundo. É absurdo atrás de absurdo e não acaba mais”, desabafou Mariana.
Além do inquérito solicitado pela DPU, o pai da publicitária informou que as autoridades da Indonésia se comprometeram a rever os protocolos de segurança e resgate em trilhas do país. A família, no entanto, segue em busca de justiça e transparência.





