Trabalhadores do Banco de Brasília (BRB) apresentaram relatos formais de episódios que classificam como assédio moral durante a gestão do ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, informa o portal g1. As denúncias vieram à tona após a prisão do executivo, ocorrida em abril, no âmbito da quarta fase da Operação Compliance Zero.
De acordo com investigadores, Paulo Henrique Costa teria recebido ao menos seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em troca de facilitar operações envolvendo a instituição financeira. As acusações fazem parte das apurações conduzidas pelas autoridades.
Os relatos reunidos por servidores descrevem um ambiente de trabalho marcado por constrangimentos frequentes, cobranças consideradas excessivas e comportamentos que teriam provocado medo entre funcionários desde o início da gestão.
Procurada, a defesa do ex-presidente do BRB não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.
Clima de pressão e episódios em reuniões
Segundo os denunciantes, situações de tensão eram recorrentes em reuniões internas. Funcionários afirmam que o então presidente adotava postura agressiva, com gritos e tentativas de impor autoridade, inclusive diante de outros gestores.
Um dos servidores, que preferiu não se identificar, relatou a frequência desses episódios.
“Desde o começo da gestão, isso era bastante frequente. Ele gritava em reuniões, queria que as pessoas não entrassem com celular e criava um clima de medo”, afirmou.
De acordo com os relatos, o executivo determinava que celulares fossem deixados fora das salas de reunião, sob a justificativa de que poderia agir “de forma mais tranquila” nesses encontros.
Práticas de exposição e cobrança por metas
As denúncias também apontam práticas consideradas constrangedoras ligadas ao cumprimento de metas. Funcionários relatam que equipes que não atingiam os resultados estabelecidos eram expostas publicamente durante reuniões.
Entre os exemplos citados, está a obrigatoriedade de uso de gravatas vermelhas por gestores que não alcançavam os objetivos, em referência ao sistema interno de metas do banco.
Além disso, servidores afirmam que havia instabilidade frequente nas equipes, com mudanças constantes de função e descomissionamentos quando havia discordância com decisões da direção.
“Ele era extremamente inconstante com os funcionários. Trocava pessoas de função e descomissionava quando era contrariado. Teve diretoria que trocou de diretor seis vezes. Eram comuns gritos, desfazer e humilhar pessoas durante as reuniões”, relata um servidor.
Em um dos episódios descritos, o ex-presidente teria arremessado o próprio celular contra a parede durante uma reunião, em meio a um momento de tensão.
Pressão por resultados e impactos na saúde
No contexto de operações envolvendo o Banco Master, funcionários relatam que Paulo Henrique Costa acompanhava diretamente processos considerados complexos, exigindo prazos reduzidos.
Segundo os relatos, procedimentos que normalmente levariam meses para conclusão eram cobrados para serem finalizados em poucos dias, com a participação de diferentes níveis da estrutura administrativa.
Os servidores afirmam que o ambiente de pressão constante teve reflexos na saúde mental das equipes. De acordo com um dos denunciantes, houve aumento expressivo de afastamentos por questões psicológicas ao longo da gestão.
“Chegou a um terço do quadro de funcionários do banco afastado por questões psicológicas. Não ao mesmo tempo, mas ao longo do período”, afirmou.
Medo de represálias e ausência de denúncias internas
Apesar da gravidade dos relatos, os funcionários afirmam que não recorreram inicialmente aos canais internos da instituição. Segundo eles, havia receio de retaliações e desconfiança em relação à corregedoria do banco.
De acordo com os denunciantes, a gestão teria promovido a nomeação de servidores mais novos e com menor experiência para cargos estratégicos, o que teria ampliado o clima de insegurança.
“As pessoas aceitavam os mandos e desmandos por medo de perder as funções”, disse um servidor.
As denúncias agora estão sendo analisadas por órgãos competentes, no contexto das investigações já em andamento sobre a atuação do ex-presidente do BRB.






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