A Prefeitura de Niterói inaugurou, nesta terça-feira (8), uma placa em homenagem à publicitária Juliana Marins, de 26 anos, no mirante da Praia do Sossego. Nascida e criada na cidade da Região Metropolitana, Juliana morreu no mês passado, ao cair durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia.



A família da jovem participou da cerimônia e relembrou o quanto ela era ligada ao local. Mariana Marins, irmã de Juliana, compartilhou uma das lembranças marcantes que viveu ao lado da irmã na praia.
“Juliana amava a Praia do Sossego. Antes de ter a escada que tem hoje, era só terra. Então, Juliana vinha, era um perrengue a gente descer, subir para chegar na praia. Uma lembrança muito especial que a gente tem é que Juliana fez um curso de fotografia e queria começar um perfil [nas redes sociais] e pediu a mim e as amigas para sermos modelos. Então, fizemos um book ali na praia, foi muito bonito”, conta.
Durante a homenagem, o pai de Juliana, Manoel Marins, emocionou os presentes com um discurso sobre a maneira como a filha viveu e como desejaria ser lembrada.
“Certamente ela não gostaria de ser lembrada por uma tragédia, mas eu sei que ela está feliz. Ela deixou um legado de vida e cabe a nós, como família, levar esse legado adiante. Legado de uma vida intensa, uma vida feliz”, disse Manoel Marins, pai da vítima.
O corpo de Juliana foi sepultado na última sexta-feira (4), dois dias após chegar ao Brasil. Antes disso, a família solicitou uma nova autópsia para tentar entender quando e como ela morreu.
O primeiro exame havia sido realizado cinco dias após o acidente, ainda na Indonésia. O laudo apontou trauma com fraturas, lesões em órgãos internos e hemorragia intensa como causa da morte. A investigação inicial concluiu que Juliana teria morrido cerca de 20 minutos após o acidente, mas não especificou o dia exato.
O resultado na nova necropsia deve sair ainda nesta semana.
Relembre o caso
Juliana estava em um mochilão pela Ásia quando o acidente aconteceu. Ela fazia uma trilha no vulcão Rinjani, um dos pontos turísticos mais populares da Indonésia, quando caiu em um precipício, na madrugada de sábado (21), no horário local — ainda sexta-feira (20) no Brasil.
O guia que acompanhava a jovem disse que ela não foi abandonada e que somente tinha parado para descansar. Ele garante que estava há 3 minutos do local onde ela descansava e chamou a equipe de resgate assim que ouviu os gritos de socorro.
O pai da vítima disse que ela foi abandonada no local pelo responsável da trilhar, que se afastou para fumar.
Investigação
O guia foi ouvido pela polícia de Lombok Oriental. A polícia busca entender se houve negligência ou outro elemento criminoso nas circunstâncias da morte da jovem.
Também prestaram depoimento o carregador que levava as bagagens do grupo pela trilha, um policial florestal e representantes da agência de turismo responsável pelo passeio. Outras testemunhas também estão sendo procuradas para esclarecer a cronologia do acidente.
A Embaixada do Brasil na Indonésia acompanha o caso de perto. A Defensoria Pública da União (DPU) solicitou que a Polícia Federal investigue possível omissão de socorro por parte das autoridades indonésias. Se confirmada, a hipótese pode levar o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Washington.






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