Helicóptero usado em resgate de Juliana Marins na Indonésia foi cedido por mineradora, diz pai

Corpo da jovem foi sepultado nesta sexta (4)

O corpo de Juliana Marins, publicitária de 26 anos morta após cair em uma trilha no vulcão Rinjani, na Indonésia, foi sepultado na tarde desta sexta-feira (4), no Cemitério Parque da Colina, em Niterói, sua cidade natal.

O velório teve início às 10h, com acesso aberto ao público, e seguiu até o meio-dia. Após esse horário, a cerimônia foi restrita à família e a amigos próximos.

Em entrevista à imprensa, o pai da vítima, Manoel Marins, reclamou de negligência no resgate, que durou quatro dias.

“O caso trata-se de despreparo, descaso com a vida humana, trata-se de negligência, de precariedade dos serviços daquele país. Infelizmente, um destino turístico mundialmente conhecido, que deveria ter uma estrutura melhor para resgatar as pessoas que passassem por um infortúnio desses”, desabafou.

Manoel disse ainda que soube pelos autoridades locais que o helicóptero usado no quarto dia de resgate foi emprestado por uma mineradora.

“Eu soube que eles têm um helicóptero para resgate, que fica em Jacarta, que é longe. O helicóptero que eles estavam usando era de uma mineradora. O parque, quando entrou em contato com a Defesa Civil, foi muito tempo depois do acidente. Se tivesse entrado antes, provavelmente o desfecho seria outro”, continuou o familiar.

Após a morte, a família foi informada pelo governo indonésio que os protocolos de segurança serão revistos durante a trilha. Segundo Manoel, foram mais de 150 acidentes no Monte Rijani nos últimos cinco anos.

“Praticamente um acidente a cada cinco dias, muita coisa. Vivemos em um país que estamos acostumados com um resgate imediato. Nossos bombeiros chegam rapidamente para o socorro. Só que nesses países mais pobres, as coisas não acontecem assim. Mas deveriam acontecer”, enfatizou.

Inicialmente, o corpo da vítima seria cremado em uma cerimônia privada entre a família e amigos. No entanto, Manoel explicou que houve uma mudança.

“Tínhamos solicitado ao juiz que ela pudesse ser cremada, mas o juiz tinha dito não porque é uma morte suspeita. Então ela teria que ser enterrada para caso precisasse de uma exumação futura. Agora de manhã acordei com a notícia de que a Defensoria tinha conseguido que ela fosse cremada. Mas já tínhamos decidido pelo sepultamento”, explicou.

Parentes se despedem de Juliana Marins | Manuela Carvalho / Agenda do Poder

Nova autópsia

O Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Rio, liberou os restos mortais de Juliana na manhã desta quarta-feira (2), após a conclusão de uma nova autópsia, que durou cerca de duas horas. O exame foi realizado por dois legistas da Polícia Civil, com a presença de um perito médico da Polícia Federal e de um assistente técnico escolhido pela família, o professor de medicina legal Nelson Massini.

A autópsia realizada cinco dias após o acidente já havia concluído que a causa da morte foi um trauma, com fraturas e lesões em órgãos internos, além de hemorragia intensa. A investigação inicial apontou que Juliana teria falecido cerca de 20 minutos após o trauma.

No entanto, a nova perícia realizada no Brasil visa esclarecer a data e o horário exato da morte e apurar uma possível omissão de socorro por parte das autoridades locais da Indonésia.

Mãe de Juliana Marins (calça estampada) é abraçada por familiares | Manuela Carvalho / Agenda do Poder

Relembre o caso

Juliana era natural de Niterói, no Rio de Janeiro, e estava em um mochilão pela Ásia quando o acidente aconteceu. Ela fazia uma trilha no vulcão Rinjani, um dos pontos turísticos mais populares da Indonésia, quando caiu em um precipício, na madrugada de sábado (21), no horário local — ainda sexta-feira (20) no Brasil.

O guia que acompanhava a jovem disse que ela não foi abandonada e que somente tinha parado para descansar. Ele garante que estava há 3 minutos do local onde ela descansava e chamou a equipe de resgate assim que ouviu os gritos de socorro.

Investigação

O guia que estava com Juliana Marins foi ouvido pela polícia de Lombok Oriental. A polícia busca entender se houve negligência ou outro elemento criminoso nas circunstâncias da morte da jovem.

Também prestaram depoimento o carregador que levava as bagagens do grupo pela trilha, um policial florestal e representantes da agência de turismo responsável pelo passeio. Outras testemunhas também estão sendo procuradas para esclarecer a cronologia do acidente.

A Embaixada do Brasil na Indonésia acompanha o caso de perto. A Defensoria Pública da União (DPU) solicitou que a Polícia Federal investigue possível omissão de socorro por parte das autoridades indonésias. Se confirmada, a hipótese pode levar o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Washington.

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