Quase metade (49,3%) da população ocupada brasileira está em empregos de baixo salário, com pouca estabilidade, sem rede de proteção social e com jornadas longas. É o maior patamar já registrado pelo índice criado pelo pesquisador Bruno Ottoni, da Consultoria IDados.
Ottoni cruzou os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), de 2016 até o terceiro trimestre deste ano, quando havia 45,8 milhões de trabalhadores nessas condições.
O volume e o percentual são superiores aos registrados em 2019, antes da pandemia, que chegou ao ponto máximo de 44,3 milhões.
— No início do ano que vem, época em que o mercado de trabalho sazonalmente tem desempenho fraco, certamente vamos estourar o patamar de 50% — prevê o economista.Será o momento em que a maioria dos trabalhadores empregados no Brasil estará em ocupações de baixa qualidade, inseguras. Os números divulgados na terça-feira pelo IBGE do trimestre encerrado em outubro confirmam o temor de Ottoni de que a situação vai piorar nos próximos meses.
A renda média real do trabalhp caiu 11%, descontada a inflação, frente ao mesmo período de 2020, para o nível mais baixo desde 2012. O rendimento é um dos principais pilares do indicador de Ottoni, no sentido de que o salário é insuficiente para comprar seis cestas básicas por mês: 80,9% dos trabalhadores não ganham o bastante para isso.
— Mesmo para quem tem emprego formal, o rendimento é baixo. Na subocupação (quem não consegue trabalho a jornada inteira) ganha-se pouco, e ela vem se mantendo em patamares elevados — diz Ottoni.
Debaixo do sol, é de uma mesa com várias bandejas de canudinhos de doce de leite em uma esquina de Copacabana, na Zona Sul do Rio, que o casal Alexandre do Nascimento, de 53 anos, e Leila Micaele, de 52, há quatro anos tira seu sustento. A renda mensal deles foi duramente afetada pela pandemia.
Se antes conseguiam vender até cerca de 500 canudinhos por dia, com dois carrinhos, hoje esse número caiu drasticamente. O casal também teve de interromper as vendas por alguns meses devido às restrições impostas no auge da pandemia, mas tem esperança de retomar as vendas neste fim de ano.
Segundo Nascimento, eles têm lutado para ganhar até R$ 150 diários, menos da metade do que conseguiam antes.
* Com informações do Globo






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