O União Brasil decidiu, nesta quarta-feira (8), afastar o ministro do Turismo, Celso Sabino, e abrir um processo de expulsão por infidelidade partidária. A decisão foi divulgada após reunião da executiva nacional do partido em Brasília. O motivo foi a recusa do ministro em deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contrariando determinação da cúpula da sigla.
Durante o encontro, o partido também aprovou a dissolução do diretório estadual do União Brasil no Pará, base eleitoral de Sabino. Segundo fontes da legenda, a saída do ministro não será imediata: o processo disciplinar deve durar cerca de dois meses, com análise do Conselho de Ética.
Resistência do ministro
Após a reunião, Sabino reagiu com indignação à decisão e afirmou que sua permanência no cargo é estratégica para o país. O ministro lembrou que o Brasil se prepara para sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em 2025, em Belém, sua cidade natal.
“É no meu estado, na cidade onde eu nasci, e temos muita coisa ainda a entregar e a fazer até a realização desse evento. Por responsabilidade com o governo e com o país, sigo ao lado do presidente Lula também por entender que esse é o melhor projeto para o Brasil”, declarou.
Sabino criticou o União Brasil, dizendo que a sigla “tem tomado decisões equivocadas e açodadas”. Segundo ele, sua intenção é tentar sensibilizar o Conselho de Ética para que o partido não antecipe disputas eleitorais.
Pressão interna e ataque de aliados
Dentro do próprio partido, a decisão de afastar o ministro teve quase unanimidade. De acordo com apuração do site Metrópoles, apenas Sabino votou contra o seu próprio afastamento. No caso da dissolução do diretório do Pará, houve duas posições contrárias.
Entre os principais defensores da medida está o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que tem se posicionado como uma das vozes mais duras contra o governo Lula e busca consolidar seu nome como candidato da direita à Presidência em 2026. Caiado classificou a permanência de Sabino na Esplanada como uma “imoralidade ímpar” e o chamou de “quinta-coluna” — termo usado para designar traidores.
Ruptura com o governo e aliança com o PP
O afastamento de Sabino ocorre em meio à reconfiguração do União Brasil, que anunciou recentemente uma federação com o Progressistas (PP). As duas siglas pretendem se unir para formar uma frente política de direita com vistas às eleições presidenciais de 2026.
Como parte do acordo, o partido rompeu oficialmente com o governo federal e determinou que todos os filiados que ocupam cargos na administração pública deixem seus postos. O presidente da legenda, Antônio de Rueda, havia dado prazo até 19 de setembro para que Sabino se desligasse do Ministério do Turismo — sob pena de punição por infidelidade partidária.
Próximos passos
Agora, o caso seguirá para análise no Conselho de Ética do União Brasil. O processo pode culminar na expulsão de Celso Sabino e na perda de sua filiação, o que o deixaria sem partido enquanto ainda ocupa o cargo de ministro.
Mesmo assim, Sabino mantém o discurso de que continuará no governo e seguirá atuando em favor da COP30. “Temos muito a fazer pelo turismo brasileiro e pelo Pará. Não é hora de brigas partidárias”, afirmou.






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