O ministro do Turismo, Celso Sabino, anunciou sua saída do União Brasil, partido pelo qual construiu sua trajetória recente. A decisão foi comunicada após semanas de tensão interna e ocorre em meio a um processo de expulsão movido pela própria legenda. A informação foi divulgada pela CNN Brasil.
Segundo Sabino, sua permanência no partido se tornou “insuportável”, embora tenha reconhecido as alianças políticas que manteve ao longo dos anos dentro da sigla. O ministro vinha enfrentando forte resistência de parte da direção nacional por se recusar a deixar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, contrariando a orientação do União Brasil de se posicionar na oposição.
“Temos grandes lideranças no Pará e também em nível nacional, muitos amigos, mas acredito que ficou realmente insustentável a minha permanência nesse partido”, declarou o ministro à CNN.
Suspensão e processo de expulsão
O União Brasil suspendeu Sabino de suas funções partidárias e o afastou da presidência do diretório estadual no Pará. O processo disciplinar que pode resultar em sua expulsão foi aberto após o ministro ignorar a determinação da cúpula da legenda de romper com o governo federal.
O ministro, no entanto, defende que não há justificativa para a punição. “Eu não devo nada, não fiz nada para merecer essa expulsão. Mas acredito que minha passagem política pelo União Brasil já deu o que tinha que dar”, afirmou.
Confronto com Ronaldo Caiado
A crise interna ganhou contornos mais públicos depois de um embate entre Sabino e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também filiado ao União Brasil. Pré-candidato à Presidência da República em 2026, Caiado criticou abertamente a permanência de Sabino no ministério.
“Não se pode servir a dois senhores: ser soldado do Lula e, ao mesmo tempo, representar um partido que já declarou oposição ao governo”, disse o governador.
Sabino reagiu com ironia, citando uma frase histórica usada por Lula em um debate presidencial de 1989: “Quando ele atingir 1,5% nas pesquisas, eu respondo.”
A troca de farpas evidenciou o racha entre as alas do partido — uma, alinhada ao Planalto e interessada em manter espaços na Esplanada dos Ministérios; outra, liderada por Caiado, que tenta consolidar o União Brasil como força de oposição e trampolim para sua candidatura nacional.
Futuro político
Com a saída do União Brasil, Celso Sabino ainda não confirmou se pretende se filiar a outra legenda. Ele segue à frente do Ministério do Turismo, cargo que ocupa desde julho de 2023, e tem mantido boa interlocução com o presidente Lula e outros ministros do governo.
Nos bastidores, aliados de Sabino afirmam que ele deve permanecer no cargo até o fim do mandato, apostando em uma plataforma técnica e de resultados para o setor turístico, afastando-se momentaneamente das disputas partidárias.






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