Um tribunal de Israel decidiu, neste domingo (3), estender por mais dois dias a prisão preventiva de dois ativistas detidos durante a interceptação de uma flotilha que seguia em direção à Faixa de Gaza, informa a Folha de S. Paulo. Entre os detidos estão o brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek, que foram apresentados a um tribunal na cidade de Ashkelon.
A decisão judicial ocorre após a interceptação da embarcação por forças israelenses em águas internacionais, na costa da Grécia, na madrugada da última quinta-feira (30). A ação faz parte de uma operação contra uma flotilha formada por mais de 50 embarcações que partiram da França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio imposto por Israel e levar ajuda humanitária ao território palestino.
“O tribunal prorrogou sua detenção por dois dias”, disse Miriam Azem, da organização de direitos humanos Adalah. Segundo ela, as autoridades israelenses haviam solicitado uma prorrogação de quatro dias.
Acusações e contexto da operação
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores de Israel, os dois ativistas são suspeitos de ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), entidade sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Washington afirma que a organização atua de forma encoberta em favor do grupo Hamas.
As autoridades israelenses sustentam que Abu Keshek seria um membro relevante da organização, enquanto Ávila é apontado como alguém com vínculos com o grupo e suspeito de envolvimento em atividades consideradas ilegais.
Ao todo, cerca de 175 pessoas foram detidas durante a operação, incluindo quatro brasileiros. Dois deles foram levados a Israel para interrogatório, enquanto outros ativistas foram encaminhados para diferentes locais.
Reação de Brasil e Espanha
A decisão de manter os ativistas presos gerou reação imediata de governos estrangeiros. A Espanha contestou a legalidade da detenção de Abu Keshek e pediu sua liberação.
O Ministério das Relações Exteriores espanhol informou que o governo de Pedro Sánchez exige a “libertação imediata” do ativista e destacou que o cônsul espanhol em Tel Aviv acompanhou o caso de perto.
O Itamaraty também se manifestou em conjunto com o governo espanhol, classificando a ação como ilegal.
“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao direito internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, afirma a nota.
O comunicado ainda exigiu o retorno imediato dos ativistas, com garantias de segurança.
Flotilha e repercussão internacional
Os organizadores da missão afirmam que a interceptação ocorreu a mais de mil quilômetros da Faixa de Gaza, classificando a operação como uma “armadilha mortal calculada no mar”.
Parte dos detidos foi levada para a ilha de Creta, onde desembarcaram na sexta-feira (1º). O episódio reacende o debate internacional sobre o bloqueio à Faixa de Gaza e as ações de grupos civis que tentam enviar ajuda humanitária à região.
Em 2025, uma iniciativa semelhante, organizada pela Flotilha Global Sumud, também resultou na detenção de centenas de ativistas, entre eles nomes conhecidos internacionalmente, como Greta Thunberg e o próprio Thiago Ávila, que foram posteriormente deportados.






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