Uma nova operação envolvendo embarcações com ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza terminou com a detenção de ativistas por forças israelenses no Mediterrâneo. Segundo o governo de Israel, cerca de 175 pessoas que estavam a bordo de mais de 20 barcos foram interceptadas enquanto seguiam em direção ao território palestino.
A flotilha faz parte de uma mobilização internacional organizada por grupos de apoio à população de Gaza. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores de Israel, os ativistas estão sob custódia e sendo levados ao país.
“Aproximadamente 175 ativistas de mais de 20 barcos (…) agora seguem pacificamente para Israel”, afirmou o ministério em comunicado, acompanhado de imagens dos tripulantes em uma embarcação.
Denúncias de ação em águas internacionais
Antes da confirmação oficial, os organizadores da chamada Flotilha Mundial Sumud denunciaram que as embarcações haviam sido cercadas por forças israelenses em águas internacionais, próximas à costa da Grécia, o que classificaram como uma violação do direito internacional.
“No momento em que publicamos este comunicado (04h30 GMT), ao menos 22 dos 58 barcos da flotilha foram tomados de assalto pelas forças israelenses, em total violação do direito internacional”, afirmou a organização.
A flotilha, composta por quase 60 embarcações, havia partido de diferentes portos europeus nas últimas semanas, incluindo cidades como Marselha, Barcelona e Siracusa. Até o momento, não há confirmação independente sobre todos os detalhes relatados pelos organizadores.
Relatos de abordagem militar
Segundo os responsáveis pela missão, os barcos foram abordados por lanchas militares. Em comunicado anterior, a organização afirmou que os agentes se identificaram como integrantes das forças israelenses.
“Nossos barcos foram abordados por lanchas militares cujos ocupantes se identificaram como sendo de ‘Israel’”, informou o grupo.
Ainda de acordo com os organizadores, os ativistas teriam sido alvo de intimidação durante a ação.
Eles relataram que os ocupantes foram “mirados com lasers e armas de assalto semiautomáticas” e que os soldados “ordenaram aos participantes que se agrupassem na parte dianteira dos barcos e ficassem de quatro”.
As embarcações estavam, segundo sistemas de rastreamento, próximas à ilha de Creta no momento da interceptação.
Histórico de interceptações
Esta não é a primeira tentativa recente de envio de ajuda marítima à Faixa de Gaza. No início de outubro de 2025, uma flotilha anterior com cerca de 50 embarcações também foi interceptada por Israel nas proximidades do território palestino.
Na ocasião, a operação foi alvo de críticas internacionais, incluindo manifestações de organizações de direitos humanos. Os tripulantes foram detidos e posteriormente deportados.
Bloqueio e crise humanitária em Gaza
Israel mantém controle sobre os acessos à Faixa de Gaza e enfrenta críticas recorrentes de organismos internacionais, como a ONU, e de organizações não governamentais. As entidades apontam restrições à entrada de bens essenciais, o que teria agravado a escassez de suprimentos desde o início do atual conflito, em outubro de 2023.
O bloqueio ao território palestino está em vigor desde 2007, mas foi intensificado após o ataque realizado pelo grupo Hamas em território israelense, que desencadeou uma retaliação genocida do país sionista aos palestinos.
A situação humanitária em Gaza permanece no centro das preocupações internacionais, com iniciativas como a flotilha buscando chamar atenção para o acesso a alimentos, medicamentos e outros itens básicos.






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