A morte do influenciador digital PC Siqueira voltou ao centro das investigações após a apresentação de uma perícia particular que contesta a versão oficial de suicídio. O novo laudo, elaborado em março de 2026 a pedido da família, sustenta que ele teria sido vítima de estrangulamento com um fio de fones de ouvido dentro do apartamento onde morava, na Zona Sul de São Paulo.
O influenciador foi encontrado morto em 27 de dezembro de 2023, aos 37 anos. Na época, exames do Instituto Médico Legal e do Instituto de Criminalística concluíram que a morte ocorreu por enforcamento com uma cinta de catraca, diante da ex-namorada, Maria Luiza Lopes Watanabe.
Divergência entre laudos
O novo parecer, com 48 páginas, foi elaborado pelo perito particular Francisco João Aparício La Regina, ex-integrante da Polícia Técnico-Científica. Ele afirma que a morte não foi causada por enforcamento, mas por asfixia com um objeto fino, possivelmente um fio de fones de ouvido.
Segundo o documento, as marcas encontradas no pescoço do influenciador são incompatíveis com a cinta de catraca apreendida inicialmente, que possui maior largura. O perito sustenta que as lesões seriam compatíveis com um fio preto recolhido posteriormente no apartamento pelos advogados da família e entregue à polícia.
Nem o perito nem os advogados responsáveis pelo parecer comentaram o conteúdo, sob alegação de que o caso tramita em segredo de Justiça.
Ministério Público pede nova perícia
Diante da contradição entre os laudos, o Ministério Público determinou que a Polícia Civil encaminhe o fio dos fones de ouvido para nova análise pelos órgãos oficiais. A proposta é que o material seja comparado com os registros fotográficos das lesões.
Como já se passaram mais de dois anos desde a morte, não será possível realizar exumação do corpo. A reavaliação será feita com base em imagens produzidas na época pela perícia.
O novo laudo ainda está em elaboração e poderá influenciar os rumos da investigação.
Investigação segue aberta
O inquérito, que havia sido concluído como suicídio em 2025, segue em andamento após decisão da Justiça que atendeu a pedido do Ministério Público. A Promotoria apontou inconsistências nos laudos e divergências nos depoimentos colhidos.
Com isso, a Polícia Civil passou a considerar outras hipóteses, como instigação ao suicídio, homicídio com simulação e omissão de socorro. Até o momento, não há suspeitos formalmente identificados.
Pessoas próximas ao influenciador podem ser novamente ouvidas ao longo da investigação.
Depoimentos e reconstituição
Em depoimento, Maria afirmou que tentou socorrer o influenciador, mas não conseguiu. Segundo seu relato, ela saiu do apartamento pedindo ajuda no corredor.
Uma vizinha declarou que ouviu os gritos, entrou no imóvel e encontrou o influenciador enforcado com a cinta. Ela disse que acionou a Polícia Militar e cortou o objeto com uma faca para tentar salvá-lo.
Em janeiro de 2026, a Polícia Técnico-Científica realizou uma reconstituição no prédio onde ocorreu o caso, no bairro do Campo Belo. A ex-namorada não participou, alegando motivos pessoais.
Posteriormente, Maria e a vizinha participaram de uma acareação por videoconferência para esclarecer divergências sobre o horário em que o socorro foi solicitado.
Segundo depoimentos, o influenciador teria manifestado intenção de tirar a própria vida momentos antes do ocorrido. O casal havia encerrado o relacionamento dois dias antes.
Defesa nega responsabilidade
A advogada de Maria, Clarissa Azevedo, afirmou em nota que não há elementos que indiquem responsabilidade da cliente.
“A defesa acompanha a investigação com tranquilidade e confia no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos. Ressalta, ainda, que o inquérito tramita sob sigilo, razão pela qual manifestações públicas devem ser feitas com cautela.
A posição da defesa é clara no sentido de que não há elementos técnicos ou probatórios que sustentem a atribuição de responsabilidade à Sra. Maria Luiza pelos fatos investigados. Nesse sentido, importa destacar que, até o momento, não há qualquer acusação formal ou imputação concreta contra a Sra. Maria Luiza, no âmbito de investigação que, inclusive, conta com laudos oficiais apontando morte por enforcamento.
Destaque-se que estes laudos oficiais são elaborados pelos órgãos do Estado, sendo exames realizados com critérios técnicos, imparcialidade e controle institucional.
Já eventuais pareceres particulares, ainda que possam ser juntados aos autos, são produzidos por profissionais contratados por uma das partes, razão pela qual não possuem o mesmo grau de imparcialidade da perícia oficial.
Observa-se, por fim, que parte das acusações se apoia em relatos indiretos e versões que apresentam divergências entre si, sem respaldo nos elementos constantes dos autos, o que já vem sendo esclarecido pela defesa ao longo da investigação.”
Trajetória e controvérsias
PC Siqueira foi um dos pioneiros na produção de conteúdo digital no Brasil, com grande projeção no YouTube e participação em programas de televisão. Sua trajetória também foi marcada por controvérsias nos últimos anos.
Antes de morrer, ele era investigado por suspeita de envolvimento com material de abuso sexual infantil, após o vazamento de mensagens em 2020. Perícias posteriores não encontraram esse tipo de conteúdo em seus dispositivos, e o próprio influenciador sempre negou as acusações.
O procedimento foi encerrado após sua morte, com extinção da punibilidade.





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