A estratégia de Flávio Bolsonaro (PL) para fortalecer sua candidatura à Presidência da República sofreu mais um duro golpe no Rio de Janeiro. O União Brasil decidiu deixar a coligação com o PL na disputa pelo governo estadual e deverá adotar uma posição de neutralidade nas eleições, retirando o apoio à candidatura do deputado estadual Douglas Ruas (PL). A decisão representa mais uma perda para o senador na reta final das convenções partidárias e enfraquece seu principal palanque eleitoral no estado onde construiu sua carreira política.
A mudança ocorre poucos dias após outra sequência de reveses enfrentados por Flávio Bolsonaro. O Podemos já decidiu permanecer neutro na disputa presidencial, enquanto o Republicanos deve definir nesta terça-feira (4), durante convenção nacional, se também seguirá pelo mesmo caminho. Caso isso ocorra, o candidato do PL chegará ao prazo final para a formação das chapas sem o apoio das principais legendas do Centrão.
Desistência de Canella provocou mudança
A saída do União Brasil da coligação foi motivada pela desistência do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella de disputar uma vaga ao Senado.
Em vídeo divulgado nesta segunda-feira, Canella anunciou que buscará um novo mandato como deputado estadual, voltando sua campanha para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Com a mudança, a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), decidiu retirar o apoio ao projeto do PL no estado.
A perda é considerada significativa para Douglas Ruas, que aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, empatado com Anthony Garotinho (Republicanos), ambos com 10%, segundo levantamento Quaest divulgado em 27 de julho.
Sem o apoio da federação, aliados avaliam que a candidatura do deputado estadual terá mais dificuldades para alcançar o segundo turno, comprometendo também o palanque de Flávio Bolsonaro no terceiro maior colégio eleitoral do país.
Baixada Fluminense deixa de ser trunfo
Outro impacto da decisão recai sobre a Baixada Fluminense, região onde o União Brasil possui forte presença política.
Márcio Canella, que governou Belford Roxo, concentrará esforços na campanha proporcional, buscando ampliar a bancada do partido na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
Sua saída da disputa ao Senado reduz o potencial de mobilização da federação na campanha majoritária e diminui a capilaridade do palanque do PL em uma das regiões mais populosas do estado.
Série de perdas preocupa campanha
O revés no Rio de Janeiro se soma a outros episódios que vêm dificultando a articulação política da campanha de Flávio Bolsonaro.
Nesta segunda-feira, o senador Cleitinho (Republicanos) também anunciou que desistiu da candidatura ao governo de Minas Gerais. Favorito nas pesquisas no estado, ele era considerado um importante aliado do presidenciável do PL e poderia fortalecer sua presença no segundo maior colégio eleitoral do país.
Além disso, dirigentes de partidos do Centrão têm demonstrado resistência à candidatura de Flávio Bolsonaro. Entre as principais críticas está a avaliação de que o senador não deu respaldo político a aliados envolvidos em momentos de crise.
No Rio, esse desgaste ficou evidente após a operação da Polícia Federal que teve como alvo Márcio Canella. Depois de inicialmente manifestar apoio ao então candidato ao Senado, Flávio determinou a retirada de sua mãe, Rogéria Bolsonaro (PL), da suplência da chapa.
A perda do União Brasil também ocorre meses depois de o ex-governador Cláudio Castro desistir de disputar o Senado, após ser alvo de operações da Polícia Federal, reduzindo ainda mais a força do palanque do PL no estado.
Enquanto isso, em Minas Gerais, o PL busca alternativas para recompor sua estratégia eleitoral e negocia um possível apoio ao ex-deputado federal Marcelo Aro (PP), na tentativa de minimizar os efeitos da desistência de Cleitinho.







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