UFRJ precisa de R$ 1,27 bilhão para recuperar prédios em situação crítica

Reitoria busca recursos para recuperar unidades com infiltrações, problemas elétricos e estruturas antigas

Um levantamento atualizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro revelou um cenário preocupante sobre a infraestrutura da instituição. Segundo dados do Escritório Técnico da Universidade (ETU), seriam necessários R$ 1,27 bilhão para recuperar 90,3% dos prédios avaliados pela universidade. O estudo analisou 142 edificações e classificou parte delas em condições consideradas “ruins” e “muito ruins”.

Entre os casos mais críticos está o edifício Jorge Machado Moreira (JMM), na Cidade Universitária, no Fundão, revela reportagem de O Globo. O prédio, que abriga a Escola de Belas Artes (EBA) e o Museu D. João VI, ainda sofre os impactos de um incêndio ocorrido em 2016. Quase dez anos depois, parte do oitavo andar permanece fechada aguardando obras. O levantamento também identificou problemas na fachada e no telhado da construção.

Mapa da deterioração

Batizado de Programa de Avaliação de Reabilitação dos Bens Imóveis (REAB), o estudo classifica os imóveis em categorias como “novo”, “muito bom”, “bom”, “regular”, “ruim” e “muito ruim”. Além disso, o relatório destaca quais unidades necessitam de reparos considerados urgentes.

A lista de prédios classificados em situação “muito ruim” inclui o Instituto de Matemática, o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), o Palácio Universitário, na Praia Vermelha, e o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no Centro do Rio.

Segundo a universidade, o valor necessário para recuperar as estruturas corresponde a aproximadamente três vezes o orçamento discricionário anual da instituição, atualmente em torno de R$ 406 milhões. Esses recursos são utilizados para despesas de manutenção, segurança, abastecimento de água, energia e outras demandas operacionais.

Problemas estruturais

Além das áreas interditadas, estudantes e professores convivem diariamente com infiltrações, mofo, quedas de reboco, instalações elétricas antigas e falta de climatização adequada. No Centro de Tecnologia (CT), por exemplo, o levantamento identificou ferragens expostas, estruturas enferrujadas e infiltrações aparentes.

Alunos relataram dificuldades frequentes nos campi. Marco Antônio Carvalho Reis, estudante de Engenharia Naval, afirmou que alguns prédios apresentam problemas graves de infraestrutura, principalmente nas áreas de banheiros, bebedouros e manutenção predial.

Já Clara Barbosa, estudante da Escola de Belas Artes, relatou problemas de infiltração e ausência de ar-condicionado nas salas de aula. Segundo ela, o ambiente prejudica as atividades acadêmicas e desmotiva estudantes e professores.

Busca por recursos

O reitor Roberto Medronho afirmou que a universidade busca alternativas para captar recursos e acelerar obras emergenciais. Após reuniões em Brasília, a UFRJ recebeu a promessa de R$ 6,5 milhões do Ministério da Educação para modernização da rede elétrica do IFCS.

Além disso, a universidade obteve outros R$ 6,5 milhões por meio do edital Procel Energia Zero, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para obras na Faculdade de Letras. A unidade também apresenta blocos classificados como “ruins” e áreas que necessitam de reparos urgentes.

A Reitoria informou ainda que trabalha em contratos de manutenção preventiva e corretiva no campus do Fundão, incluindo intervenções na fachada do prédio JMM e recuperação do telhado do IFCS.

Estruturas históricas

Outro ponto destacado pelo estudo é a idade das edificações. Grande parte dos prédios da UFRJ foi construída entre as décadas de 1850 e 1960. Muitas dessas construções possuem valor histórico e são tombadas, o que eleva os custos das intervenções e exige processos específicos de restauração.

Segundo Roberto Medronho, a universidade também pretende buscar recursos ligados ao pré-sal para financiar projetos estruturais de recuperação dos campi. A proposta é que parte dos recursos de futuros leilões de petróleo seja destinada à instituição devido à contribuição histórica da UFRJ para pesquisas em águas profundas e ultraprofundas.

Posição do MEC

Em nota, o Ministério da Educação afirmou que vem recompondo o orçamento das universidades federais desde 2023, após anos de restrições orçamentárias. Segundo a pasta, foram investidos R$ 59,1 milhões na UFRJ nos últimos três anos por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O ministério também informou que trabalha em estudos para aperfeiçoar o modelo de financiamento das universidades federais, buscando maior previsibilidade orçamentária e sustentabilidade financeira para as instituições.

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