A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu afastar temporariamente um professor do curso de Psicologia, após ele ser acusado por alunos do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (Ifcs) de fazer comentários transfóbicos e capacitistas durante uma discussão sobre cotas para estudantes trans. A decisão foi tomada após uma manifestação organizada por estudantes, que ocorreu na última segunda-feira. A instituição informou que o docente foi substituído e que ele enfrentará medidas administrativas no Instituto de Psicologia, onde atua como professor.
Em uma nota divulgada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) Mário Prata, através do Instagram, foi explicado que o afastamento do professor foi consequência de sua postura durante o debate, em que teria se comportado de maneira “extremamente transfóbica e capacitista”, além de ter supostamente humilhado e assediado moralmente os estudantes presentes.
A manifestação que impulsionou a decisão de afastamento foi organizada por alunos dos cursos de Ciências Sociais, Psicologia, História e Direito. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que os estudantes confrontam o professor, acusando-o publicamente enquanto o escoltam para fora da sala de aula, entoando palavras de ordem como “racistas, machistas, não passarão”.
Ainda segundo o DCE, o comportamento inadequado do professor não é um incidente isolado. O grupo de estudantes afirma que há 20 anos, desde que o docente iniciou sua carreira na universidade, ele mantém essa postura. Por conta disso, os alunos pediram à UFRJ que o docente seja exonerado de suas funções. O professor, que é graduado em Filosofia e Psicologia, leciona as disciplinas de Teoria Psicanalítica e o curso básico de Psicologia.
Em nota, o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais informou que “a reação dos estudantes não se deu por um preconceito específico, mas por entenderem que o docente teve uma postura desrespeitosa com a turma, em especial com uma estudante autista”. Além disso, afirmou que as medidas administrativas neste caso serão aplicadas pelo Instituto de Psicologia.
Rio não tem cotas
O chefe do Departamento de Psicologia Geral e Experimental do Instituto de Psicologia, professor Filipe Carijó, informou apenas que o professor não é mais responsável por ministrar as aulas da turma do Ifcs. O jornal entrou em contato pelo e-mail profissional do professor, mas ele não respondeu.
Hoje 14 instituições públicas de ensino superior no país têm cota para pessoas trans, nenhuma delas no Rio. A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) já tem um projeto para implementar o sistema de reserva de vagas para esse grupo — a iniciativa está em discussão interna.
Com informações de O Globo.





