Tubarões-galha-preta retornam à Ilha Grande e reforçam importância da região para reprodução

Chegada das fêmeas marca nova etapa das pesquisas científicas e destaca o litoral sul do Rio como área estratégica para a conservação da espécie ameaçada.

Dois meses após a confirmação de que a Baía da Ilha Grande abriga a maior concentração de tubarões-galha-preta do Atlântico Sul, pesquisadores registraram o retorno das fêmeas da espécie à região com a chegada do inverno. O fenômeno reforça a importância do litoral sul fluminense como um dos principais ambientes de reprodução desses animais no Brasil.

As fêmeas buscam águas mais quentes, protegidas e tranquilas para a gestação dos filhotes. A principal área de concentração está localizada na Enseada de Piraquara de Fora, em Angra dos Reis, onde cientistas realizam monitoramentos constantes para acompanhar o comportamento da espécie.

Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, não existem registros de incidentes entre tubarões-galha-preta e pessoas na Baía da Ilha Grande, reforçando o perfil não agressivo desses animais.

Maior agregação do Atlântico Sul

A relevância da região ganhou ainda mais destaque após uma expedição científica registrar, por meio de drones, um grupo de 113 tubarões-galha-preta nadando juntos em Piraquara de Fora. Trata-se da maior agregação já documentada da espécie em todo o Atlântico Sul.

O reconhecimento internacional da área também fortaleceu os esforços de conservação. Especialistas apontam que a baía desempenha papel fundamental para a sobrevivência da espécie, atualmente considerada ameaçada de extinção.

De acordo com José Truda Palazzo Jr., idealizador do Projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande, o reconhecimento obtido pela região pode contribuir não apenas para a preservação ambiental, mas também para o desenvolvimento de atividades sustentáveis.

Pesquisa utiliza tecnologia para monitoramento

Desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Conservação da Natureza (Ibracon), em parceria com a Petrobras, o Projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande atua há mais de três anos estudando a distribuição, o comportamento e a ecologia dos tubarões na região.

Em 2025, a iniciativa ampliou sua estrutura de pesquisa, incorporando novos equipamentos e expandindo a área de atuação para aumentar a produção de conhecimento científico.

Entre as tecnologias utilizadas estão drones, câmeras subaquáticas e sistemas de vídeo remoto instalados no fundo do mar. Os equipamentos permitem acompanhar os animais sem interferir em seus hábitos naturais.

Outras espécies ameaçadas também são monitoradas

Além dos tubarões-galha-preta, os pesquisadores monitoram espécies ameaçadas como o tubarão-mangona e o tubarão-martelo, ampliando a compreensão sobre a biodiversidade marinha da região.

Recentemente, a equipe científica realizou outro registro inédito: a observação de jovens tubarões-tigre em ambiente natural no Sudeste brasileiro. A descoberta reforçou a importância da Baía da Ilha Grande como área de refúgio para diferentes espécies de tubarões.

Os estudos apontam que a região oferece condições favoráveis para alimentação, crescimento e reprodução, fatores essenciais para a conservação de populações ameaçadas.

Conservação e ecoturismo caminham juntos

Além da pesquisa científica, o projeto pretende impulsionar iniciativas de desenvolvimento sustentável ligadas à conservação marinha. Entre as ações previstas estão programas de capacitação para pescadores artesanais e o fortalecimento do ecoturismo de base comunitária.

A proposta é estimular atividades voltadas à observação da vida marinha, gerando renda para comunidades locais e valorizando a biodiversidade da Baía da Ilha Grande.

Segundo o coordenador científico do projeto, professor Leonardo Mitrano Neves, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a preservação dos tubarões é fundamental para manter o equilíbrio dos ecossistemas marinhos e garantir a sustentabilidade da pesca artesanal na região.

Fêmeas devem permanecer até outubro

A expectativa dos pesquisadores é que as fêmeas de tubarão-galha-preta permaneçam na Baía da Ilha Grande até o mês de outubro. Após esse período, os animais tendem a se dispersar por outras áreas costeiras e retornar gradualmente ao mar aberto.

O comportamento sazonal observado anualmente reforça o papel estratégico da região para a reprodução da espécie e fortalece a necessidade de ações contínuas de conservação e monitoramento ambiental.

Veja o vídeo no link abaixo:

https://extra.globo.com/video/tubaroes-retornam-a-baia-da-ilha-grande-para-reproducao-14680313.ghtml

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